Quadrilhas: brilho, luxo e resultados

Quem olha para a foto acima, até pensa que essa turma aí pertence a alguma escola de samba, para desfile no carnaval. Mas não é não. São integrantes da quadrilha Lumiar, que foi a grande vencedora da 35º edição do Concurso de Quadrilhas Juninas Adultas, que se encerrou no final de semana, no Sítio Trindade, onde funciona o maior arraial do Recife. As quadrilhas evoluíram, e seus brincantes já não se limitam às tradicionais roupas de chita e chapéus de palha. Quadrilha, agora, é luxo, brilho, enredo, coreografia. E a grande vencedora foi a Lumiar (foto acima), que também tinha arrebatado premiação no ano passado.

 

O tema desse ano foi Compadrio – São João dormiu, São Pedro acordou. Fundada em 1994 no bairro do Pina (Zona Sul do Recife), a Lumiar venceu 34 outros grupos juninos. A quadrilha, que celebrou os santos e os festejos juninos com muito brilho, receberá um prêmio no valor de R$ 13 mil, além dos R$ 3 mil pela classificação nas eliminatórias, que todas as 12 finalistas também receberão. A segunda colocada foi a Quadrilha Tradição, que defendeu este ano o tema Brilha uma Estrela no São João.  A Tradição (foto à esquerda) tem  histórico de apresentações bem sucedidas. Ela foi fundada em 2004, no Morro da Conceição, Zona Norte do Recife. No ano passado também ficou entre as três primeiras. O grupo receberá o prêmio de R$ 9 mil.

O terceiro prêmio saiu para a quadrilha Evolução (foto à direita), do bairro de Santo Amaro, que rendeu este ano uma justa homenagem à Missa do Vaqueiro e ao seu criador, Padre João Câncio. E também a Raimundo Jacó, vaqueiro assassinado que inspirou o sacerdote a criar a liturgia sertaneja. O grupo, que foi o quarto colocado na 34ª edição do concurso, receberá prêmio no valor de R$ 7 mil.

A quarta e a quinta quadrilhas melhor avaliadas foram a Raio de Sol e a Dona Matuta, recebendo R$ 6 mil e R$ 5 mil em prêmios, respectivamente. Fundada em 1996, em Olinda, a Raio de Sol defendeu o tema Fábrica de Xilo, festejando as figuras reais e fantásticas do imaginário nordestino. No ano passado, a quadrilha não ficou entre as cinco melhor colocadas. De San Martin e fundada em 2006, a Dona Matuta ficou em quinto, com o tema Dona Matuta de fato e de direito. O concurso é promovido pela Prefeitura, através da Secretaria de Cultura do Recife. Seria bom que, a exemplo do que é feito no carnaval – quando após a festa há um desfile das agremiações vencedoras – as quadrilhas vitoriosas também se apresentassem em um local público para o recifense ver. Pois teve muita gente que não conseguiu assistir ao espetáculo junino, porque as arquibancadas lotaram.

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife
Fotos: Andréa Rego Barros/ Divulgação/PCR

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