Borboleta rara no Legado das Águas

Nada como manter intacta a natureza. Rara e observada apenas duas vezes em todo São Paulo, a borboleta Prepona deiphile deiphile acaba de ser registrada no Legado das Águas, a maior reserva privada de Mata Atlântica do Brasil, que fica no Vale da Ribeira, na Região Sul daquele estado. Dois indivíduos – ambos do sexo feminino – foram identificadas no interior da reserva pela bióloga Laura Braga, que é especialista em borboletas e mariposas. Iniciada em 2016, pesquisa sobre esse tipo de inseto já indicou 226 espécies existentes na reserva, cuja área se equipara à de uma cidade do porte de Curitiba.

De acordo com a pesquisadora, esta é a terceira vez que a espécie é registrada naquele Estado. A primeira ocorreu na cidade de Santo André, embora sem data precisa, o registro pode ter ocorrido nos anos 50. O segundo registro, feito pelo pesquisador K. Brown, que foi apenas visual, se deu nos anos 2000, em Ubatuba.  O registro dos dois indivíduos, segundo a pesquisadora, indica uma população viável, ou seja, a possibilidade de mais borboletas da mesma espécie.

“Ainda que a presença dessa espécie seja sazonal, dependendo do ano, encontrar dois indivíduos em um mesmo dia indica que há uma população”, explica. Após o registro fotográfico para documentação, as borboletas foram devolvidas à natureza. A Reserva, localizada no Vale do Ribeira, também é jardim de borboletas extremamente raras.  Em 2017 foi descoberta a borboleta Godartiana byses, que jamais havia sido registrada no Estado de São Paulo.

Pertencente à família Nymphalidae, subfamília Charaxinae, a espécie Prepona d. deiphile é frugívora, se alimentando de frutas fermentadas. Além disso, habita o dossel, ou seja, o topo das árvores da Mata Atlântica, que em sua maioria são muito altas. Segundo a pesquisadora, é um fator que dificulta sua amostragem, aumentando a importância da descoberta. “ A ciência sabe pouco sobre a história natural dessa espécie, não sabemos – por exemplo – qual o impacto que sua extinção poderia causar no ecossistema”. Os 31 mil hectares de floresta em alto grau de conservação do Legado das Águas são um berço e refúgio para espécies raras e ameaçadas de extinção, como o muriqui – o maior macaco das Américas, o raríssimo cachorro-vinagre entre outras espécies da fauna brasileira.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação/ Legado das Águas/ Grupo Votorantim

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