Cuidado, armas à vista. Perigo!

A julgar pelo que se pretende – entre os poderosos de Brasília – não demorará muito, e teremos cartazes como este em ruas, avenidas e parques não só da nossa cidade, como nas outras do país impondo “limites” aos locais onde se possa atirar. Calma, gente. Esse rifle da foto foi fotografado no Recife, mas não em passeios públicos e sim em área militar afastada, onde são efetuados treinamentos.

Mas depois que o vi, o “filme” começou a passar na minha cabeça, por conta do decreto presidencial  (9.785/2019)  que flexibiliza o uso de armas de fogo e que se encontra em análise no Congresso Nacional, felizmente com muitas restrições por parte de parlamentares mais sensatos. O assunto deve entrar em discussão, mais uma vez, nesta semana. Tomara que o decreto não seja mantido. Em casa, mesmo com filho do sexo masculino, nunca deixei entrar arma nem mesmo de brinquedo. Sempre tive horror a violência e a todos os objetos que a representem. E  dela, as armas de fogo constituem  o maior símbolo.

Estudos divulgados há alguns dias mostraram o quanto a iniciativa oficial pode ser nefasta.  Pensem nesses números: nos 14 anos anteriores ao Estatuto do Desarmamento, os assassinatos por armas de fogo cresciam à razão de 5,5 por cento ao ano. Após o estatuto, também houve crescimento. Mas, fezlimente, bem menor do que a proporção anterior:  passou a ser de 1 por cento ao ano. Mesmo assim, o Atlas da Violência mostra  números preocupantes. Em 2017, o Brasil registrou 65.500 assassinatos. Agora, peço a vossa atenção, mais uma vez:  70 por cento dos quais provocados por armas de fogo.

Então, imaginem o que vai ocorrer, se agora esses objetos matadores ficam mais acessíveis à população. Diante dos números, não custa perguntar: arma de fogo serve mais para matar ou para se defender?

Vai ter gente matando a mulher com mais facilidade, vai ter gente puxando arma (como aliás já acontece) em brigas de trânsito, e mais desvio delas para as mãos dos marginais, incluindo os que dominam o tráfico nas grandes cidades. E quando chegarem essas armas nas mãos de gente insana, que mata por matar? Então, gente, liberar a venda, posse, porte de arma é a mesma coisa que dizer, “não discuta, mate” ou “não viva, morra”.

Sei não, mas liberar arma é uma iniciativa tão grave contra a humanidade, quanto está sendo a liberação desenfreada de agrotóxicos já proibidos lá fora. Ou seja: morram, brasileiros. Não estou nem aí para vocês. A vida de vocês não vale mesmo nada.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife 

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