Barcos, caminhada e “mais vida teimosa”

Não pude ir às Caminhadas Domingueiras Olhe pelo Recife, cuja última edição aconteceu no sábado (15/6). Mas meu ex companheiro de trabalho nos tempos do jornal O Globo, o fotógrafo Hans Von Manteuffel, participou do roteiro. E me enviou belas fotografias do trajeto. Então, o #OxeRecife dá informações hoje sobre o percurso,  não pela visão dessa blogueira, mas sim pela  ótica do alemão mais pernambucano que conheço. Do nosso guia, o arquiteto e urbanista Francisco Cunha, ele elogiou o caráter instrutivo e esclarecedor do passeio. Mas teceu críticas quanto à segurança dos barcos que fazem a travessia do Marco Zero para o Parque de Esculturas,  no Bairro do Recife. Também estranhou o abandono do parque criado pelo artista plástico Francisco Brennand, um dos pontos turísticos mais visitados naquele ponto da cidade.

Paisagem impressiona. Detalhe: canhões  históricos, “de pé” chamam a atenção.

“A minha primeira caminhada com o grupo Caminhadas Domingueiras foi especial pela riqueza das informações e pela simpatia das pessoas participantes”, diz o fotógrafo. “O trajeto foi curto e teve a travessia dos barcos pequenos que deveriam ser melhor fiscalizados”, diz. Também reclamou da “discussão em frente dos possíveis passageiros em pleno Marco Zero”. Tem a ver, claro. O Marco Zero é um dos principais pontos turísticos do Recife, e deve ser tão constrangedor para os visitantes assistir a essa disputa entre os barqueiros, quanto o é para motoristas que estacionam à noite no Teatro Santa Isabel, e são cercados por flanelinhas, que brigam entre si pelo “direito” de “guardar” o carro, e ainda extorquem o cidadão, colocando preço e pedindo “pagamento” adiantado. Houve uma vez que me aborreci, dei meia volta e vim embora. Só não perdi o ingresso porque o espetáculo era gratuito. Hans também reclama da superlotação dos barcos, “botando a vida dos passageiros em risco”.

Informou que o barco que tomou para a travessia, tinha dez adultos, quando o recomendado seriam sete. Pior: “nenhum colete de salva vida” (em Porto Calvo, onde estive no final de semana, a travessia entre a Praça das Barcaças e o Fortim do Bass, não oferecia um só colete salva vidas no barco). Então, tanto lá quanto cá, a recomendação é que a Prefeitura e a Capitania dos Portos fiscalizem melhor esse tipo de serviço. Devido às chuvas, a água estava muito barrenta, segundo Hans, o que prejudicou a beleza das fotografias. Nem tanto, a julgar pelas fotos que ele enviou ao #OxeRecife, a paisagem não foi assim tão prejudicada. Porque as fotos estão  lindas, como sempre.

Elogiou a beleza da cidade, principalmente a partir do Parque das Esculturas, mas também referencia o acúmulo de lixo no local (problema insistente, no Recife) e esculturas quebradas, com certeza, danificadas por vândalos.  Mas mostra deslumbramento com a visão do Recife Antigo, quando o grupo estava chegando a Brasília Teimosa. “A vista é bela, com os pescadores de vara e os canhões de pé, formando o primeiro plano”. O tema da caminhada foi o Mais Vida nos Morros, projeto que consiste em mudar a paisagem dos altos do Recife e que está chegando ao bairro, com a versão Mais Vida Teimosa. O  Secretário de Inovação Urbana do Recife, Tullio Pozzi, participou do roteiro, e mostrou como será o programa naquele bairro histórico. A caminhada terminou em clima de confraternização com todo mundo dançando ciranda, no Bar do Peixe, que fica em área a ser beneficiada pela iniciativa oficial, executada em conjunto com os moradores.

Confira a galeria de fotos,  gentilmente cedidas por Hans:

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Hans Von Manteuffel/ Cortesia

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