Trilheiros: não deixem lixo nas matas

Nessa Semana do Meio Ambiente é bom que se diga. Organizadores de trilhas, maratonas, passeios por matas precisam, urgentemente, começar a pensar em formas de evitar que caminhadas ou corridas deixem rastro de lixo por onde seus atletas passam. No centro do Recife, ao final de cada maratona, o que se vê é um rio de garrafas PET e copos plásticos espalhados pelo chão. Menos mal, porque logo em seguida chegam os garis da Emlurb e limpam todo o asfalto (embora as leis determinem que os organizadores de eventos se responsabilizem pela limpeza).

Nas trilhas por áreas rurais, matas, praias, a coisa é diferente.  E não tem gari para limpar. Portanto, consciência ambiental é bom, e o cuidado precisa ser maior. Recentemente houve uma grande maratona no Litoral Sul de Pernambuco, muito bem organizada, com patrocinadores de peso e também com inscrições com preços bem salgados. Indaguei várias vezes quais as medidas adotadas para evitar que fosse jogado lixo ao longo dos caminhos pela mata, pelos manguezais, por rios e até pelo mar. Até hoje estou esperando a resposta.

Um amigo meu que participa, sempre, de trilhas, leva uma mochilinha e coloca todos os resíduos que produz. “Na última que fui, a bolsa inchou muito porque colocava meus resíduos e dos outros corredores”, conta Alexandre Xis, referindo-se a maratona da qual participou, no final do mês passado. “Como não era competitiva, mas solidária, as pessoas podiam ter mais cuidado”, diz. A maratona a que se refere foi promovida pelo Grupo Correndo em Trilhas, e ocorreu nas matas da Guabiraba, Zona Norte do Recife, onde ainda restam resquícios da Mata Atlântica.

Para evitar deixar rastro de sujeira, os organizadores da trilha tomaram uma atitude: retornaram lá, no último domingo, onde percorreram o mesmo caminho, para recolher detritos que por acaso tenham ficado no roteiro. Mas fizeram mais: além de catar os copos da maratona, juntaram, também, todas as garrafas PET e outros tipos de detritos deixados por maratonas anteriores, realizadas por outros grupos.  Ao final, os trilheiros haviam enchido sete sacos de lixo, descartados em locais apropriados. O evento também gerou outro tipo de atitude: coleta de alimentos, já entregues ao Hospital do Câncer, em Santo Amaro, Zona Norte do Recife (foto à esquerda). Nesse final de semana, o Correndo em Trilhas faz outro roteiro, dessa vez na Ilha de Itamaracá. Tomara que não fique rastro sujo pelo chão.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Correndo em Trilhas/ Divulgação

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