Nando Cordel: forró e música espiritual

Ninguém sabe quem é Fernando Manoel Correia. Porque todos o conhecem pelo nome artístico, Nando Cordel, um dos homenageados do São João do Recife, em 2019. Natural de Ipojuca – município da região metropolitana e o mais velho de 14 irmãos – ele descobriu, logo cedo, o gosto pela música e poesia. Aos 17 anos, já tocava violão e cantava. Fora do palco, ia compondo. Não demorou e ele foi parar na trilha sonora de várias novelas, que fizeram sucesso na TV Globo. Acabou tendo mais de 1500 músicas gravadas por artistas famosos, como Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Elba Ramalho, Chico Buarque e Maria Bethânia, Amelinha, Fagner, Fafá de Belém e até Xuxa Meneguel.

Zen, Nando também passeia pela suavidade de músicas instrumentais para meditação e paz espiritual. Nado é uma alma boa. Fundou a instituição Lar do Amanhã, que desde 1996 já atendeu mais de 2,5 mil famílias do Cabo de Santo Agostinho, e também dedica parte de sua obra à música instrumental e espiritual, para relaxamento e meditação. O outro homenageado do São João recifense é José Dantas (1921-1962). O artista (foto ao lado) foi um dos mais célebres parceiros de Luiz Gonzaga, com quem formou dupla responsável por sucessos que viraram clássicos do cancioneiro nordestino e brasileiro: Vem Morena, Forró de Mané Vito, Sabiá, Riacho do Navio e Xote das Meninas.

Depois de formado, Zé Dantas acaba se mudando para o Rio de Janeiro, onde, já parceiro famoso do ainda mais famoso Rei do Baião, começa a apresentar programas de rádio, entre eles No Mundo do Baião, transmitido dos estúdios da Rádio Nacional, onde contava histórias e imitava personagens típicos do Nordeste.  Zé Dantas morreu, sem nunca ter abandonado o Nordeste na sua obra e nem na geografia do seu afeto, tendo chegado a usar suas músicas para fazer denúncias contra a seca e a falta de atenção política à dureza das vidas privadas de água. Teve suas composições gravadas por muitas gerações de artistas, como Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Gal Costa, Maria Bethânia, Alceu Valença, Quinteto Violado, Marisa Monte e Gilberto Gil. E segue vivo até hoje nos corações e arraiais nordestinos, imortalizado em cada par de pés que se arrastam atendendo ao irresistível convite do baião.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Andréa Rego Barros e Divulgação

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