Moradores rejeitam lojão no Poço

Moradores do Poço da Panela estão mobilizados para evitar que terreno de 12.000 metros quadrados, localizado na Avenida Dezessete de Agosto, seja ocupado por um grande estabelecimento comercial. O terreno é aquele onde funcionou a Casa de Saúde São José, alvo de demolição polêmica, pois o prédio lindo e secular estava em processo para transformação em imóvel especial de preservação, o que legalmente impediria sua demolição. Em 2009, no entanto, ele virou pó.

Na época, a sociedade civil questionou a rapidez com que a demolição foi autorizada (um mês), enquanto o processo para transformar o imóvel secular em IEP se arrastava desde 2007, na burocracia da Prefeitura. A OAB-PE entrou com ação civil contra a iniciativa na Justiça, que condenou a Prefeitura. O terreno havia sido comprado pelo Carrefour, que planejara construir ali uma loja, justamente no local do imóvel demolido.

A Secretaria de Cultura da Prefeitura pretendia que a casa virasse m IEP porque era um “expressivo exemplar da paisagem natural e cultural do Capibaribe”, mantidas ainda “as características  arquitetônicas e preservadas a volumetria, a fachada, gradis, elementos decorativos e construtivos”. Até  as grades de ferro do muro da São José eram bonitas. Mas foram retiradas pelos novos proprietários, que ergueram uma verdadeira muralha (foto) no local. Árvores seculares também foram eliminadas, o que despertou uma série de protestos no bairro.

Com a polêmica, o Carrefour saiu da jogada. Agora há projeto em andamento na Prefeitura, para que o local sedie a construção de mais uma loja do Atacado dos Presentes. Mas os moradores do Poço da Panela reivindicam a área para que vire uma  praça ou um parque. O terreno tem 12.152,33 metros quadrados. Pela documentação encaminhada ao poder público, a área construída seria de 21.072 metros quadrados, tendo 7.306 metros quadrados de solo natural e outros 295 de solo permeável. Os moradores do Poço começaram a se articular para impedir a construção do Atacado. Organizados, eles são responsáveis, também, pela implantação do Jardim Secreto, uma área verde, à margem do Capibaribe, antes totalmente abandonada pelo poder público . E cujos 3 mil metros quadrados serviam para acumular lixo, metralhas, animais mortos. Hoje o Jardim Secreto é uma área de convivência, com horta e jardins.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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