Não matem nossas árvores

Às vésperas de dar início à Maratona Verde  (quando 10 mil árvores devem ser plantadas na nossa cidade) a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife lembra que, mesmo em áreas particulares, não é permitida a erradicação de árvores, como a que mostramos, na semana passada, quando uma mangueira em plena frutificação foi trucidada, no Bairro de Casa Forte. Como se não bastassem as árvores degoladas que a gente vê nas ruas,vítimas da motosserra insana, nos espaços privados também é grande a demanda por cortes e erradicações. E haja arboricídio!

“Somente no mês de abril, recebemos 80 solicitações para corte e 254 para podas em áreas particulares”, informa a Smas. E os motivos invocados, muitas vezes são banais, como a alegação de que as “folhas fazem sujeira”, como se não existisse vassouras. Também há quem queira matar as plantas porque “entopem as calhas das residências”, o que pode ser solucionado com limpeza periódica, não é não? Ou porque “servem de abrigo para morcego”, como se os mamíferos não entrassem em nossas casas. Na minha, por exemplo, de vez em quando passa um voando. Entra por uma janela e sai por outra. De acordo com a Smas, daqueles pedidos, 55 erradicações foram autorizadas, e 251 podas para aquele mês.

Em área pública ou privada, quem matar uma árvore tem obrigação de plantar no mínimo duas. O que nem sempre ocorre, como todo mundo está cansado de ver no Recife, tanto nos espaços públicos quanto nos privados. Remoção de árvore em área pública, no entanto, ninguém pode fazer. Só a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb). Quem se atrever a desrespeitar , pode levar multa. Mas em área privada, o dono do imóvel precisa fazer um croquis com a localização da árvore no terreno, assim como indicar um local para o replantio, o mais próximo possível do imóvel. A Autorização Ambiental para erradicação e a poda, de acordo com a Lei nº 17.666/2010, tem custo, sendo R$ 137,28 o menor valor. 

Em área pública ou privada, quem matar uma árvore tem obrigação de plantar no mínimo duas. O que nem sempre ocorre, como todo mundo está cansado de ver no Recife, tanto em praças, ruas, parques quanto nos espaços particulares.

“Os principais aspectos levados em consideração para a possível aprovação das solicitações de remoção são o estado fitossanitário da árvore (causado pelo ataque de pragas e doenças), espécie inadequada para o local, crescimento deficiente causado pelo plantio errado da árvore e risco de queda. Técnicos também avaliam o grau da interferência da árvore em edificações existentes e a falta de alternativa técnica para a implantação de projetos de edificações”, informa a Smas. “Após o cidadão protocolar um pedido de corte de árvore, os técnicos ambientais vão até o local para analisar a situação e fazer o laudo técnico sobre o estado das árvores.  A avaliação é bastante minuciosa. O profissional avalia diversos aspectos e preenche um relatório com informações detalhadas sobre a árvore, como tronco, galhos, folhas etc. – que servirão para definir uma possível intervenção, seja poda ou até mesmo a supressão”, completa a assessoria de imprensa do órgão.

Outro detalhe é que uma árvore “seca”, ou melhor, sem folhas, não significa árvore morta. Em algumas espécies, esse aspecto faz parte do ciclo de vida das árvores. São as caducifólias ou árvores caducas. É o caso, por exemplo, que acontece com os ipês e com as amendoeiras, que perdem todas as suas folhas no inverno, mas recuperam todo o vigor logo depois. Sempre é bom lembrar que as árvore, assim como os outros seres vivos, têm um ciclo de vida.  Ou seja, nasce, cresce e morre. Mas se a gente não cuidar, é claro que ela morre antes do tempo, e é isso que a gente vê muito no Recife. Árvores atacadas por pragas, por falta de cuidado fitossanitários no momento adequado, que terminam sendo guilhotinadas.  Anotem dois telefones importantes: 156 (para pedidos de poda ou erradicação em áreas públicas) ou 33558817 (para avaliação em terrenos privados).

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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