A República e o estilo eclético no Recife

Hoje foi mais um dia de Caminhada Domingueira Olhe pelo Recife (foto acima). Temática, como sempre. Depois de passeios que visitaram  quatro estilos presentes na arquitetura da nossa cidade – colonial,  barroco, neoclássico e a de ferro – chegamos, nesse domingo, ao estilo eclético, tendo mais uma vez Francisco Cunha como nosso guia. O passeio teve início no Marco Zero, antiga Praça do Barão do Rio Branco, onde há três exemplares da arquitetura eclética, que começou a se consolidar no Recife no final do século 19  e se estendeu até as primeiras décadas do século 20.

“Tínhamos no início a arquitetura colonial, da época em que as embarcações que chegavam ao Porto do Recife eram movidas a vela. Com a chegada dos barcos maiores, a vapor, o porto precisou evoluir, então a arquitetura colonial começou a ceder lugar ao eclético nessa área”, conta Francisco, mostrando os três exemplares do estilo que ficam ali, incluindo a Associação Comercial de Pernambuco, que teve o interior visitado pelo grupo. O  prédio, datado de 1913, tem belíssima escadaria em ferro, colunas do mesmo material e vitrais que mostram  doze atividades econômicas muito fortes á época, incluindo o “assucar”, a “preparação do cacao’, a navegação e a fiação.

O roteiro seguiu pelo Bairro do Recife – “o estilo eclético foi o da República e da Revolução Industrial” – pela Rua Marquês de Olinda, Ponte Maurício de Nassau, Bairro de Santo Antônio, Boa Vista e voltou ao Santo Antônio, na Praça da República. Na  Praça da Independência, vimos com tristeza a situação em que se encontra o prédio do Diário de Pernambuco (também eclético), em plena decadência.  E observamos o prédio (lindíssimo), que no início do século era chamado de “arranha céu do Recife”, hoje superado pelo seu vizinho, o Basilar, muito mais alto. Também observamos a descaracterização de belos prédios das ruas Nova e Imperatriz, onde há mistura de estilos (depois volto a tema, com mais detalhes).

Chegamos à histórica Praça Maciel Pinheiro- bem detonadinha, por sinal – e de lá seguimos até a Faculdade de Direito do Recife, outra construção imponente da nossa cidade, datada do início do século passado, e que constitui uma verdadeira relíquia da nossa arquitetura. A FDR também tem estilo eclético, de acordo com o arquiteto e urbanista. Praticamente a metade dos caminhantes nunca tinha entrado na FDR, sempre um colírio para os nossos olhos e um orgulho para os recifenses.  Quem já conhecia, não cansou de admirar o seu interior. E quem não conhecia ficou surpreso, com a riqueza do monumento.  Lindo! Encerrei minha caminhada aí, porque tinha compromisso em Casa Forte, no final da manhã. Por esse motivo, não cheguei no final da caminhada, na Praça da República, onde ficam três monumentos tombados, sendo dois em estilo eclético (Palácio do Campo das Princesas e Palácio da Justiça). O Teatro Santa Isabel, no mesmo local, é considerado neoclássico. No decorrer da semana, volto com detalhes da saborosa caminhada desse domingo, com outras informações interessantes para todos aqueles que gostam de conhecer melhor a cidade onde vivem.

Veja algumas fotos do passeio de hoje:

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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