Vocês lembram dessa calçada? “A Compesa consertou”

Meu amigo Alexandre Albuquerque – que, como eu, gosta de fazer tudo andando (vendeu o carro inclusive) – me envia uma foto, avisando: “Taparam o buraco da Avenida Dezessete de Agosto”. O buraco, que ficava em frente ao número 335,  daquela via, em Casa Forte, já havia provocado uma série de acidentes entre pedestres. Foi até alvo de um post indignado aqui no #OxeRecife. Como pedestre que sou, vivo de olho nas armadilhas das quais já fui vítima várias vezes, inclusive este ano, pois ainda estou com o pé imobilizado devido a problemas, tão comuns nas ruas do Recife: calçadas esburacadas e asfalto idem. Ou irregulares.

Passei hoje com minha bengalinha por lá. Bengalinha sim, porque ainda estou com o pé na bota, mas não abro mão de caminhar.  A bengala, para quem está com o pé com limitações, ajuda muito, pois não me sinto segura sem ela nessas calçadas tão avariadas do Recife.  Na Dezessete,  vi que realmente o conserto foi realizado. Pasmem: o condomínio que fica em frente ao buraco, informou que a bagaceira na calçada foi deixada por obras da Compesa, realizadas no local. “A gente telefonou muito para a Compesa vir consertar”, informou um funcionário do edifício.

Não confirmei se a obra foi realmente executada pela Compesa. Mas não é raro que isso aconteça, com empresas que trabalham com telefonia, saneamento, prestadoras de serviço da Prefeitura.  Fazem seus reparos ou instalações, deixam o mal feito, para quem quiser suportar. Existe legislação que pune esse tipo de comportamento, mas pelo visto é letra morta. Porque de multa, ninguém tem notícia e o que a gente mais vê nas ruas é o pandemônio de buracos, remendos, fios caídos deixados por prestadoras de serviços.

A pouco menos de dez metros dessa calçada onde “a Compesa consertou”, no entanto, há outro trecho de alto risco, como vocês podem observar nessa foto ao lado. E ele está em toda a largura da área que seria do pedestre. Já vi um homem ficar preso, ao pisar no meio dessas duas placas de concreto. Ele só conseguiu sair do local em ambulância do Samu.

Eu estava passando nesse local por acaso, quando vi o rapaz sendo socorrido por passantes. Ele não conseguia ficar em pé, de tanta dor. Pois, fiquem sabendo, desde o acidente, no ano passado, a situação só piorou. E reparo que é bom… nada. Por via das dúvidas, passo pelo asfalto, disputando espaço com os carros. Olho com atenção, quando a pista está vazia, dou uma carreirinha, para retomar o caminho da calçada.  E me livro do risco de acidente nesse lugar que vocês estão vendo. Não há trecho seguro. Você tem coragem de pisar no meio dessas placas duplas? Eu não teria. Uma delas até ganhou o contrapeso de uma pedra, como vocês podem observar. Isso garante a segurança do cidadão ao caminhar? Com certeza, não. O risco está em todo canto. Vejam o que diz o leitor Marco Antônio Veloso, sobre os riscos nas calçadas. “Também fui vítima. Três pontos no supercílio. Meti a cara no chão… literalmente”.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Alexandre Albuquerque

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