Quem chama isso de calçada…

Meu Deus… eu aqui, depois daquele tombo, com o pé imobilizado – e precisando de fisioterapia – devido a uma irregularidade no asfalto – ali, na esquina da Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti com a Avenida Parnamirim (em frente ao Hospital Maria Lucinda) – e meus amigos me enviando fotografias em que denunciam o quanto é precária a segurança do pedestre, nas vias públicas do Recife, onde o risco de acidente é sempre alto.

Vejam só a situação desta calçada, que fica em frente ao número 335, na Avenida Dezessete de Agosto. Quem me envia é o fotógrafo Alexandre Albuquerque, que sempre passa neste lugar, e adverte  o quanto é fácil qualquer pessoa cair ali. Alexandre sabe do que fala, quando o assunto é calçada esburacada. Em janeiro de 2017, a sua esposa, Ivana Cavalcanti, precisou de cirurgia  para colocação de pinos no pé, devido a um acidente em uma calçada como essa. No caso, no centro do Recife, em plena Avenida Conde da Boa Vista.

Essa calçada fica em área pública, uma pracinha (degradada), na Avenida Norte: buracos, pedras soltas e obstáculos (LL)

A lesão deixou Ivana sem colocar o pé no chão por ordem médica. Fora 40 dias de suplício. E o transtorno foi grande, para uma mulher ativa, como ela, que gosta de caminhar  de se exercitar. Ia ao trabalho em cadeira de rodas. Eu mesma já testemunhei um acidente pesado, na calçada da foto enviada por Alexandre. Vi quando um rapaz pisou no meio de uma tampa dupla de bueiro como essa. E aconteceu a menos de dez metros daquela da foto enviada por Alexandre. A tampa cedeu, o rapaz ficou com a perna presa e, claro, com fraturas. Só saiu de lá no Samu. Como no Recife as águas de esgoto com as pluviais se confundem, imaginem então o risco de contaminação, segundo lembrou um dos médicos que me atendeu no meu último tombo. A calçada do acidente que vitimou o rapaz está na mesma situação. Talvez pior. Essas tampas duplas, aliás, são um perigo. Depois que presenciei o acidente na calçada da da Dezessete de Agosto, recomendo sempre às pessoas que não pisem sobre elas. Não pisem mesmo. O perigo é maior do que vocês pensam.

Essas tampas parecem ter sido confeccionadas de material sem resistência, e muitas estão com ferragens à mostra. Cedem com facilidade. Muitas vezes – e é muito comum – elas ficam com as duas bandas afastadas, levando o pedestre a correr risco sério de queda se pisar no meio. Principalmente à noite, já que nem sempre as “armadilhas” são bem iluminadas. Conheço as leis. Sei quais são as calçadas de responsabilidade do poder público e aquelas que devem ser cuidadas pelo patrimônio privado. Mas custa nada fiscalizar? Aliás, privado e público se equivalem, quando o assunto é calçada mal conservada. É só andar pelas ruas da Capital e observar. A bagaceira é grande. Talvez maior do que a gente pense. Hoje, enquanto aguardava atendimento na gerência de um banco, duas mulheres me indagaram o motivo do pé na bota. Como eu e mais um montão de gente, as duas já se acidentaram em calçadas esburacadas, sendo que uma precisou de cirurgia. Na volta, quando pego o táxi, o motorista ao me ver com a “botinha”, conta o seu calvário, depois de torcer um pé no asfalto irregular.  Ou seja, todos afundam na irresponsabilidade ou omissão do poder público.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos:  Alexandre Albuquerque/ Cortesia e Letícia Lins

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