O milagre do renascimento

Vejam só como a natureza é generosa. A árvore fica no terreno onde funciona a Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh), à rua Santana, em Casa Forte, Zona Norte do Recife. É um pé de carambola que, sofrido, chegou a ser condenado. Estava doente, e até tombou em 2015, devido ao peso das frutas e folhas sobre seu caule cada vez mais frágil. Na época, até se cogitou de erradicá-la, para que fosse plantado um ipê no seu lugar, o que não foi feito.

As fotos me foram enviadas pela amiga Francis Palhano, que sabe que sou apaixonada pela natureza em geral e pelas árvores, em particular. Ela está encantada com o milagre do renascimento, tão bom de noticiarmos nesse Sábado de Aleluia, revestido de tanto simbolismo, marcado pela Ressurreição. Desacreditada no passado, a planta volta à vida, dessa vez exibindo a riqueza da floração e os galhos carregados de frutos. Antes abundantes nos quintais – dos nossos avós e pais – a carambola está rareando na paisagem do Recife.

Nas minhas caminhadas matinais por perto de onde moro, vejo apenas dois jardins com os galhos cheios desses frutos, inclusive  com eles espalhados pelas calçadas. O vigia de uma delas – uma clínica – de vez em quando me oferta esses frutos. “O fruteira havia parado de brotar. O pessoal daqui olhou, e percebeu que ela tinha problemas não só no caule, mas também na raiz. E agora é a primeira vez, após a doença, que a planta fica carregada de flores e frutos. No percurso, ela recebeu algum tratamento, remédios, mas ninguém acreditava que florasse e frutificasse novamente, com tanta intensidade”, diz  Francis. Ela chamou um amigo para ver a árvore carregada de frutos. Encantados, ambos fizeram fotos. “Cada vez, a gente se encanta e se reencontra nessas árvores que ressurgem”, comenta ela. “A árvore estava para ser dizimada, porque não respondia a nenhum tratamento”, acrescenta.

Fiquei pensando em quantas árvores são dizimadas, degoladas, erradicadas nas ruas do Recife, onde a insana age com muito mais intensidade do que deveria. Será que que essas “vítimas”  do arboricídio não renasceriam feito a caramboleira, se fossem tratadas com mais carinho? No momento, minha amiga está lendo A Vida Secreta das Árvores (de Peter Wohlleben). E me recomenda. Vou ler sim, Francis. Eu amo as árvores. E passei a amá-las ainda mais, depois que recebei da Baderna (Brigada de Amigos Defensores da Ecologia e dos Recursos Naturais da Amazônia), um documento assinado pelo bíólogo Pedro Paulo Siqueira Ferreira, coordenador daquela Ong, cujo objetivo é plantar um milhão de árvores nativas na Amazônia. No documento, ele mostra 30 razões pelas quais todos nós devemos amar as árvores. Ou seja, devemos preservá-las. E não guilhotiná-las com frequência, como ocorre aqui na nossa cidade, cada vez mais quente. E viva as carambolas, as árvores e a Mãe Natureza, tão generosa! E viva,também, a pessoas especiais, como Francis e Paulo, que conseguem parar para contemplá-las.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Francis Palhano e Paulo Camaroti/ Cortesia

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