Olinda, Via Sacra e ajuda de detentos

A cidade história de Olinda tem uma particularidade: do jeito que ostenta o carnaval – uma grande festa pagã – também possui uma religiosidade muito forte. E o que é ainda mais singular: muitos dos responsáveis pelas agremiações carnavalescas trocam os estandartes pelos andores, durante a aproximação da Semana Santa. Alguns diretores de agremiações integram, também, as irmandades religiosas. Na quinta (11) e na sexta (12), Olinda revive o Calvário de Jesus, durante a Procissão dos Passos.

O que poucas pessoas sabem é que as capelas centenárias que estão no roteiro religioso acabam de passar por uma repaginada. E uma repaginada feita por educandos do Sistema Penitenciário de Pernambuco, que se encontram em regime aberto e livramento condicional. Eles fizeram limpeza, conserto, pintura e iluminação dos nichos da Ribeira, do Alto da Sé, dos Quatro Cantos, 13 de Maio e 27 de janeiro. Estão agora revitalizadas para as cerimônias da Semana Santa.

Os detentos cumprem carga horária de oito horas diárias e têm contrato regido pela Lei de Execuções Penais. O Patronato Penitenciário, órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, acompanha e oferece aporte psicológico, jurídico e encaminham os apenados para vagas de trabalho. As edificações foram construídas entre os séculos 18 e início do século 19 e ficarão abertas até o domingo de Páscoa. Além de voltar para sociedade de forma honesta, estou tendo a honra de trabalhar e lugares históricos como estes. Também faz parte da ressocialização ter acesso à cultura”, contou o reeducando Leandro Paz, 39. Segundo o superintendente do Patronato Penitenciário, Josafá Reis, na Cidade Patrimônio já são mais de 100 reeducandos trabalhando. “Mantemos um convênio com a Prefeitura de Olinda, que já conta com 136 egressos do sistema prisional. Eles atuam na varrição, capinação, conserto e manutenção das vias urbanas de Olinda”, destaca Reis.

Isso é bom. Porque normalmente a maior parte dos presos é formada de pessoas que mal sabem ler. Então, ter uma profissão vai ajuda-los, com certeza, a se inserir na sociedade. Como repórter, já entrevistei e presenciei muitos casos assim, incluindo o de um pistoleiro profissional, que era o melhor operário de uma indústria de estopa.  Virou evangélico, e hoje diz não entender porque matava tanto. Também já conversei com mulheres apenadas, que começaram a trabalhar atrás das grades para casas de festas infantis que estavam, à época, com emprego garantido quando cumprissem as penas. Infelizmente essas oportunidades ainda são poucas, para um universo superior a 30 mil pessoas. É muita gente necessitando uma oportunidade de sair do crime na vida.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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