Mais um bebê que cai do ninho

Mais passarinho caindo do ninho. Dessa vez foi esse daí, um bebê, com penas de cores ainda tão indefinidas, que foi difícil identificar a espécie. E ele estava bem espertinho, tentava voar e passei pelo menos uns dez minutos, para resgatá-lo. Já tinha um gato de rua de olho nele e, por acaso, um gavião passou voando. Temendo pela vida do animalzinho indefeso, trouxe-o para o interior de minha casa.

Já ocorreu outras vezes. Tem que ter paciência para cuidar de bebê passarinho. Porque eles recebem o alimento do bico da mãe. Na boquinha, até que aprendam a comer sozinhos. No caso deste daí, dei água na boca (com conta-gotas). Devia dar comida, mas não sabia o quê. Então, coloquei um pouquinho de açúcar na água, temendo que ele desanimasse.  É trabalhoso. Tem que ter paciência, até que criem asas, façam voo solo e se mandem.  Aprendi a dar “assistência”  empiricamente, só com a experiência que tenho com esses bichinhos que, no meu bairro, vivem caindo dos ninhos.  Dia desses caiu um que nem pluma tinha ainda. Mas o ninho estava baixo e, graças a Deus, consegui recolocá-lo. Era tão mole, que parecia uma massa disforme. Meu deu até aflição, manuseá-lo. Mas felizmente cresceu e sobreviveu.

 Símbolo de nossa terra e alvo de ganância dos colonizadores, o pau-brasil tem flores perfumadas e atrai aves.

No caso da última queda, eu não tinha como alimentar o bebê sem saber de que o animalzinho de alimenta? Tem passarinho que prefere inseto, outros vão de frutas, e há os que gostam de grãos. Nem no Google conseguiria me informar, porque não sabia a espécie do bebê. Na dúvida, e antes que ele entrasse em sofrimento, peguei o pequenino e levei para a Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh). O pessoal de lá é especializado e sabe como alimentar essas coisinhas lindas,  que a natureza nos dá. Muitas vezes, é preciso abrir seu bico com delicadeza, quando ele não quer comer. Mas esse não daria trabalho. Espertíssimo, abria o bico para receber alimento. Eu é que não sabia o que escolher.

Pela experiência aqui em casa, o bem-te-vi é o pior para alimentar. Tem bebê bem-te-vi que trava o bico. Os técnicos da Cprh me informaram que é porque a espécie gosta mais de insetos.  O último bebê que caiu do ninho não é um bem -te- vi. Seria um “primo” daquela espécie. O protocolo de entrega ganhou o número 172/19, mas sem registro da espécie. Seria identificada depois. Pelo documento, poderei monitorar se o passarinho sobreviveu, se já voltou à natureza. O bichinho caiu de um pé de pau-brasil, que existe junto de minha casa, no meio da rua. Já foi para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas Tangara) da Cprh, no mesmo dia da entrega. Espero que ele cresça, seja saudável,  e fique feliz na liberdade do mundo. A sede da Cprh fica na Rua Santana, 367, Casa Forte, onde os bichinhos são entregues na Unidade de Gestão de Fauna.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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