Casarão, Dona Maria e pinto roxo

No último sábado, estive com a “família” Andarapé em São Benedito do Sul, onde fomos fazer trilha pela área rural, com direito a banho de cachoeira. E é claro que no final da tarde, depois de andar, estava todo mundo faminto.  Mas a surpresa gastronômica para as 70 pessoas da trilha já estava feita. A coordenadora do grupo, Ana Maria Almeida, já tinha nos reservado um banquete no Restaurante Casarão. Sinceramente, é difícil achar em uma cidade do porte de São Benedito do Sul – com seus pouco mais de 15 mil habitantes – um restaurante do padrão do Casarão.

O Casarão fica em via com pouco movimento e de nome sugestivo: Rua do Campo. Mas é o restaurante que lembra uma casa de campo. É amplo, com terraço, ambiente bucólico e tem até redes nos jardins. Em quantos restaurantes você já se defrontou com essa mordomia? Em praia até que é comum. Mas no interior, pelo menos de Pernambuco, não lembro de ter ido a nenhum com redes nos jardins. A comida é gostosa e a turma deleitou-se no cozido e na galinha guizada com pirão de fubá, embora houvesse outras opções. E o chef,  Mailson Oliveira, esteve conosco no café da manhã (em área rural) e no final da tarde (no próprio restaurante).

No Casarão, fomos recepcionados, também, com cardápio musical, com o sax de Manassés Moura  e repertório do melhor da MPB e até mesmo de sucessos internacionais. De brega, mesmo, ele só tocou Garçom, que já virou um clássico do gênero. Mas o que me chamou mesmo a atenção, foi o jardim arborizado e florido com uma pequena ponte (provavelmente inspirada nos clássicos jardins japoneses). E gostei das redes, embora poucas, para que os clientes possam tirar uma sesta, após concluído o almoço. Também tem nota dez para um pequeno espaço, no fundo do jardim, com mesinha e duas poltronas. Vá lá que elas não eram muito confortáveis. Mas a intenção do artesão já está valendo: era tudo de pneu. Todo mundo sabe que pneu virou um problema ambiental em todo o mundo. Então, quanto mais pneus reaproveitados, maior o benefício à natureza.

Se São Benedito do Sul os aproveita para fazer mobília, a gente tem mais é que dar nota 10 a quem criou a mesinha e as cadeiras.  Saí do restaurante antes do pessoal, e fui curtir uma conversa com Dona Maria, que mora naquela rua, e estava no sábado à tarde, sentada na calçada batendo papo com as vizinhas. Um amor de gente, Dona Maria. Seus filhos migraram para o Recife e São Paulo, onde trabalham e vivem hoje. Só um porém: ao descer a ladeira onde ela mora, encontrei um pinto roxo, da cor daquele remédio que se usava muito em minha infância , o Violeta de Genciana. Tomei um susto ao ver o pinto, e tinha certeza que aquilo não era filhote de pavão. Dona Maria matou a charada: me disse que há comerciantes na cidade que pintam os pintos, para chamar atenção das crianças. Vendo pinto colorido, bebê pede a papai e mamãe para ter um pinto diferente em casa. “Mas quando vão saindo outras penas, o pinto vai ficando com sua cor natural”, minimizou Dona Maria. Ou seja, em São Benedito do Sul, pinto tem de sobra. E de toda cor. É o marketing adotado na feira.

Leia também:
Andarapé entre os sons da natureza
A “melhor conexão” é com a natureza
Atendendo a pedidos sobre Aparauá
Arte Monumental e natureza generosa
Trem virou saudosa memória em Pernambuco
Vou de trem para Paripe 
Andarapé entre o século 16 e o 21 
Andarapé vai ao Jardim Secreto 

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.