Aglaia Costa: passeio de rabeca entre o popular e o erudito

Aglaia Costa é tão boa no violino quanto na rabeca. Mas é com esse instrumento antecessor do violino que ela mantém uma relação especial, e com o qual teve “um caso de amor à primeira vista”. Não é à toa, portanto, que a instrumentista é considerada por pesquisadores e estudiosos como a melhor rabequeira contemporânea de Pernambuco.

E é como tal que ela se apresenta, na qualidade de solista, no primeiro da série Concertos Especiais, com o qual a Orquestra Sinfônica da Universidade da Paraíba abre a temporada de 2019 em João Pessoa. A apresentação do Concerto para Rabeca ocorre às 20h da sexta-feira, na Sala de Concertos Radgundis Feitosa da Ufpb. A entrada é gratuita. Musicista e compositora, ela mostra a versatilidade com que transita  entre o popular e o erudito. Pertence inclusive à Orquestra Sinfônica do Recife, onde atua há três décadas.

Mas é com a rabeca que se torna uma militante na defesa da cultura popular do Nordeste. E não mede esforço para difundir esse instrumento de sonoridade roufenha, tão rústico e de tanta presença nos folguedos populares do Nordeste. Já chegou, inclusive, a apresentar o concerto aula A Peleja da Rabeca, em escolas públicas da Região Metropolitana do Recife. Também já ministrou oficinas de rabeca em pelo menos seis instituições.

Aglaia permanece com sua pesquisa sobre a música de tradição, buscando valorizar a rabeca, os rabequeiros e os mestres da cultura pernambucana. No concerto que fará na sexta (15), em João Pessoa, ela abrirá a apresentação com  Lamento Nordestino, do compositor paraibano Arimateia de Melo, que valoriza o baião e a toada. Também executará Peleja para a Rabeca, de autoria da própria Aglaia, através da qual ela “conversa” com a música de compositores eruditos como Vivaldi e Mozart. Na apresentação, entra, também, Um Samba para Jackson (da própria Aglaia). “Concerto para Rabeca preserva a diversidade da cultura musical nordestina, do coco, do maracatu, da ciranda, do cavalo marinho, da marcha junina, do xote, do xaxado, do samba de latada”, diz, lembrando que a apresentação será um “passeio” entre o popular e o erudito. Os percussionistas Drica Souza e Viola Luz participam da apresentação.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação

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