Urbanismo e patrimônio cultural em discussão no Recife

Nada mais oportuno do que o III Seminário Urbanismo e Patrimônio Cultural, que se realiza a partir do dia 14 de março, na semana que o Recife está comemorando os seus 482 anos de olho no século 21 e em meio a dificuldades para preservar a herança do passado. O que, aliás, não é difícil de acontecer em outras cidades brasileiras. Durante dois dias, o assunto vai estar em pauta naquele encontro, que acontece na Universidade Federal de Pernambuco. São 120 vagas para estudantes, professores, profissionais de arquitetura, com nada menos de 17 exposições, focando assuntos que vão da restauração de edifícios ao “paradigma da significância”, que tem a ver com os significados que uma edificação tem para a população. O encontro ocorrerá na Universidade Federal de Pernambuco.

Também entram em discussão as práticas discursivas e visuais, quando o assunto é preservação do patrimônio. Entre os temas que interessam diretamente ao Recife encontram-se As casas modernistas de Augusto Reynaldo: os desafios de sua conservação e restauro (foto ao lado) ; (Re) significando São José: a consulta da significância cultural; Ligando pontos: A Ponte Maurício de Nassau, pelo viés da cultura técnica. E ainda também será abordado o conjunto preservado de Santo Antônio e São José. Para os que não lembram, as casas modernistas (foto abaixo) são aquelas localizadas na Avenida Rosa e Silva, no Bairro das Graças, que encontram-se em ruínas, e que já foram alvo até de ações judiciais por conta da depredação orquestrada com fins de especulação mobiliária.

No caso dos bairros de São José e Santo Antônio, ainda ostentam muitas edificações dos séculos passados que, infelizmente, enfrentam processos acelerados de descaracterização, por conta da benevolência dos órgãos públicos (ou omissão mesmo) com que são realizadas as reformas, principalmente pelo comércio. O Seminário também se volta para Olinda, com Planejamento e turismo cultural do seu sítio histórico. Há, ainda, discussões sobre o exemplo de Havana, o tombamento de terreiros, e exposições que enfocam o patrimônio arquitetônico de cidades como Rio de Janeiro, Maceió, Natal. A iniciativa do Seminário é do Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Graduação em Desenvolvimento Urbano da Ufpe. São 120 vagas, e as inscrições ainda podem ser feitas no site http://lup.ufpe.net.br/temp. Em seguida, você entra na aba “notícias” do menu, para fazer a inscrição. O valor varia de R$ 30 a R$ 70 (mais barato para estudantes). Na manhã do dia 14, o Seminário ocorre no anfiteatro do CCSA. À tarde da mesma quinta-feira e durante toda sexta, 15, acontece no auditório a Adufepe.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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