Mas o que é isso?…

Acreditem se quiser. No dia 11 de março de 2018, o Grupo Caminhadas Domingueiras – sob a batuta de Francisco Cunha – fez um roteiro pela história da nossa cidade. Um percurso não igual, mas semelhante ao que fizemos hoje, antecipando-se aos 482 anos da Capital de Pernambuco.  No ano passado,  passamos por vários bairros, incluindo o do Recife, o de São José, o de Santo Antônio e o Boa Vista. Ao chegarmos à Rua Nova, na esquina com a da Palma (em Santo Antônio), nos deparamos com uma dúzia de blocos de concreto em cima da calçada.

No dia 14 de março de 2018, postei aqui no #OxeRecife um protesto contra a indevida ocupação das calçadas de nossa cidade pelos chamados gelos baianos. Fiz referência à saudade que sentia da Rua Nova, dos meus tempos de infância, quando ali era o principal e mais sofisticado corredor comercial da cidade. Em 2018, enquanto Francisco Cunha descrevia a arquitetura dos edifícios, a história da fatídica esquina onde João Pessoa foi assassinado e a importância da rua no início do século passado, fui observar o absurdo dos monstrengos amarelos colocados nas calçada. Documentei, e reclamei aqui.  Pois, acreditem, a situação não mudou.

Estão lá, os blocos, tomando o lugar do pedestre na calçada, sem explicação, sem aviso do motivo, sem nada. Afinal, para a gestão pública do Recife, calçada é para andar ou para servir de depósito de gelo baiano? Pode, um negócio desse? Será que os nossos 482 anos ainda não foram suficientes para que tenhamos uma cidade mais humana, menos agredida e mais atraente para os seus moradores? Acorda prá Jesus, meu povo, que cidade boa para se morar é diferente do modelo “desenvolvido” no Recife.

A cidade é linda, com seus rios, suas pontes, seu casario colonial, eclético, art decó, modernista. Mas as praças estão entregues, as pontes precisam de manutenção, bairros históricos – como o de São José –  são tratados à míngua e, para completar, os gelos baianos ocupam as calçadas. Se eles já embrutecem a paisagem no asfalto, imaginem no passeio público… No ano passado, os blocos no mesmo local indevido, somavam doze. Em 2019, são dez. Ou seja, em doze meses, apenas dois gelos baianos foram removidos do caminho dos pedestres, na Rua Nova. Sinceramente… #OxeRecife.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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