Parem de derrubar árvores (166)

No ano  passado, eu já havia relatado, aqui, cenas de arboricídio no histórico Sítio Trindade, a maior área verde de Casa Amarela, populoso bairro da Zona Norte do Recife. Em uma das minhas caminhadas matinais, em 19 de fevereiro, encontrei nada menos de sete árvores decepadas naquele que deveria ser um exemplo de preservação da natureza, já que é a única área verde que resta em um bairro  cada dia mais verticalizado, e no qual os quintais estão desaparecendo com a rapidez de um furacão.

 

Hoje decidi caminhar pelo Sítio mais uma vez, palco de minhas trelas de infância com a molecada da rua onde morava, quando criança, em Casa Amarela. Como meus pais residiam na Rua Evaristo da Veiga, era só atravessar a da Harmonia e subir pela Rosa da Fonseca, que já dava no Sítio, ali onde hoje fica o Obelisco. Na época, a Rosa da Fonseca era conhecida como Rua do Alto do Céu.

Não lembro se escalava o muro, ou se era aberto naquela época, pois não me recordo de entrar no Sítio Trindade pelos portões que hoje são acesso pela Estrada do Encanamento ou pela do Arraial. Recordações à parte, o que tenho a dizer é que é muito triste que uma área verde e linda, como aquela, também esteja sujeita à matança das árvores, comuns em ruas, parques e jardins do Recife. Pior: sem reposição. No Sítio, não vi nenhuma muda ou planta adolescente que tenha sido colocada no local das  que foram erradicadas. Ou seja, nove, as eliminadas entre 2018 e 2019. É triste ou não é?

Aliás, o Sítio está precisando não só de novas árvores.  O velho e lindo chalé necessita de de manutenção, principalmente nos lambrequins, que são aqueles adornos na parte externa em madeira do seu telhado. Na minha infância e na adolescência, eram famosas as festas juninas e de fim de ano, no Sítio Trindade. Lembro-me de pastoris, reisados, bois, que animavam o período natalino. Agora, as festas se limitam ao São João. É uma pena, porque o espaço fica subutilizado, inclusive o seu anfiteatro ao ar livre, que é bem bonito. Falar nisso, no dia 9 de março, a partir das nove da manhã, vai ter um aulão de dança do ventre, para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Quem comanda a aula é Veridiana Melo, com participação de alunas de sua escola de dança.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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