Catadores tiram 5 milhões de latinhas deixadas pela folia nas ruas de Olinda

E viva aos catadores. Em Olinda, eles recolheram nada menos de 53 toneladas de alumínio, papelão e plástico, das ladeiras e ruas por onde passaram os foliões. A foto mostra uma imagem impressionante dos montes de detritos deixados na cidade histórica. Eles foram recolhidos por cerca de 300 pessoas da Cooperativa de Catadores e Materiais Recicláveis (Coocencipe). Com isso, essa turma anônima livrou a natureza de boa parte desses materiais, já que serão encaminhados para reciclagem.

Ao todo, 300 garis da Prefeitura atuaram na limpeza, contando com a ajuda de 30 caminhões, duas caixas compactadoras estacionários e seis caminhões-pipa para lavagem diária das ruas, com uso de sabões perfumados. Quando os garis chegavam pela manhã, no entanto, as ruas já estavam livres desses materiais, porque os catadores passavam dia e noite na ativa. Colhendo latinhas, garrafas pet, copos, sem parar. A ação foi possível devido a uma parceria da Prefeitura de Olinda com a Coocentipe. Pensem: só em latinhas, foram recolhidas 5 milhões de unidades.

Com a venda, os catadores conseguiram lucrar uma média de R$ 500,00 durante os quatro dias de folia, mas existem casos de alguns que lucraram R$ 1.000,00 (um bom dinheiro para quem, muitas vezes, fecha o mês sem atingir um salário mínimo de renda). A gestão municipal montou uma estrutura para os sucateiros que trabalharam durante os festejos. Além de oferecer um espaço para acondicionamento do material, a Prefeitura criou um serviço de proteção para acolher os filhos dos catadores enquanto eles trabalhavam. A garotada participou de brincadeiras e teve acesso a refeições. Muito bom isso. Parabéns aos catadores e à Prefeitura de Olinda, que facilitou ou trabalho desse pessoal

No Recife, a produção de lixo dos dias de carnaval chegou a 500 toneladas, segundo informa a Emlurb. Desse material todo, 12,5 toneladas foram de materiais recicláveis, colhidos em 30 pontos de entrega voluntária e dois ecopontos móveis, que funcionaram no sábado, no Galo da Madrugada. E também nos dias seguintes, no Bairro do Recife. De acordo com a Emlurb, 100 catadores foram cadastrados pela Prefeitura. Mas não há informações sobre o total que eles recolheram. A Emlurb informou ao #OxeRecife, que a Prefeitura facilitou a compra de materiais recicláveis dos catadores, evitando a intromissão de atravessadores.  O que faltou, no Recife, em relação ao lixo, pelo que se observa, foi um trabalho tão organizado quanto o de Olinda. Na nossa cidade, aliás, a separação do lixo não é exemplo para ninguém. Porque quando a gente chega nos ecopontos, é vidro, papel, alumínio, plástico, tudo misturado. Assim, fica complicado educar a população quanto ao destino correto e da separação lixo reciclável, prática para a qual há convenções universais que não são levadas em conta na nossa cidade.

Leia também:
Do lixo ao luxo no Baile dos Artistas

Feliz 2019 com consciência ambiental 
Lixo nas Graças: ninguém faz nada
Lutando com flores contra o lixo
O Homem da Meia Noite merece respeito
Caetés: de lixão a estação ecológica
Mutirões espontâneos contra o lixo

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Olinda

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.