Arboricídio, palmeiras e carnaval

Pouco antes do carnaval, estive no Marco Zero, onde constatei o carinho com que a palmeira plantada no local estava sendo tratada. Tinha até escoras e cerca de proteção. Como vocês lembram, um exemplar dali foi sacrificado, porque segundo os técnicos da Prefeitura estava doente e ameaçava cair, trazendo grande risco de acidente durante a festa popular, já que o local é frequentado por milhares de pessoas no período. A palmeira foi guilhotinada e esquartejada. Mas, felizmente, colocaram outra, já adulta no seu lugar. Como, aliás, deve ser a reposição de árvores adultas, já que as pequenas ficam vulneráveis à ação de vândalos nas vias públicas. E também aos períodos longos sem chuva.

A reposição da palmeira foi demorada, exigiu uma operação de guerra, inclusive com guindaste. E vocês podem conferir a sua história nos links abaixo. Agora uma indagação? Por que o Marco Zero (local turístico) teve um tratamento diferenciado? Em 2017, uma palmeira foi sacrificada no Pátio do Carmo (local popular do Centro, no Bairro de Santo Antônio), mas até hoje não teve reposição. O seu corte coincidiu com um comício do ex-Presidente Lula, e as redes sociais chegaram a divulgar que a degola tinha sido feita para facilitar a colocação do palanque do petista. O #OxeRecife ouviu todos os personagens envolvidos e constatou que a história era outra: a palmeira tinha doença, ameaçavacair (como a do Marco Zero) e precisou ser sacrificada. 

Até aí, tudo bem. Embora o #OxeRecife seja totalmente contra o corte exagerado de nossas árvores, reconhece que – por questões de segurança – às vezes é necessário que a erradicação seja feita. Mas reconhece, também que, a cada ação da motosserra insana, uma reposição – ou no mínimo duas – precisam ser efetuadas, como ocorreu no Marco Zero (foto ao lado). É uma forma de compensar o prejuízo para o meio ambiente. Já indaguei várias vezes à Emlurb porque não foi feita a reposição da palmeira retirada no Pátio do Carmo. Mas resposta que é bom, até hoje… nada.

Agora, não custa nada perguntar: porque um guindaste pode colocar uma palmeira no Marco Zero e não pode no Pátio do Carmo? Se  o Marco Zero tem carnaval,  o Pátio do Carmo fica na Avenida Dantas Barreto, onde também tem festa. Só que é uma área mais popular e não tão frequentada por turistas durante os carnavais, quanto o Marco Zero, que abriga um público mais sofisticado. O que deve preocupar o poder público primeiro: a natureza ou a estética? Se faltou estética no Marco Zero, com uma palmeira a menos, o mesmo ocorre no Pátio. E a natureza agradece se houver reposição. A população e a estética, também. Porque quanto mais arborizado um lugar, mais saudável e mais bonito. Não é não? Se o Marco Zero tem o direito de ganhar uma palmeira no lugar da que foi erradicada, o Pátio do Carmo também tem. E ponto final.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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