Alegoria do “Galo” e sustentabilidade

Tomara que a alegoria do Galo da Madrugada que ficará – como tradicionalmente ocorre – na Ponte Duarte Coelho, seja linda, colorida, exuberante, cheia de brilho. Mas mesmo que não ocorra o esperado, a intenção está valendo. Isso porque a confecção do gigante de 2019 tem por base um tripé importante: valorização das raízes, inclusão social e sustentabilidade. Ao apresentar o projeto, o artista, consultor e designer Leopoldo Nóbrega informou que está utilizando retalhos de tecidos, provenientes de descartes da indústria de confecção de jeans de Toritama. Localizada a 164 quilômetros do Recife, o município é considerado a capital nacional do jeans, fabricando mais de 60 milhões anuais de peças para vestuário com esse tipo de tecido no país.

Grande parte das sobras de jeans vão para o lixo, são jogados na natureza e ficam emporcalhando as ruas do Agreste. Então, aproveitar esses retalhos já é uma coisa boa.  “Quem cria o insumo também é responsável por ele até o momento do descarte, por isso a responsabilidade ambiental vai estar muito presente no “Galo Artesão”, diz Nóbrega, justificando a iniciativa de aproveitar os restos de confecções de jeans.  “Cerca de 50% dos materiais para confecção do gigante serão de reutilização de resíduos do Polo de Confecção de Pernambuco”, assegura. O Galo terá nada menos de 25 metros de altura.

Nada menos de 50 por cento da fantasia do galo gigante serão de jeans. É muito interessante que empresas, agremiações carnavalescas e artistas imponham a preocupação com a sustentabilidade em suas iniciativas. O segundo fato a destacar é a inclusão social. “Para o projeto deste ano, o Galo fortalece uma rede de artesãos, voluntários e técnicos provenientes da periferia da cidade, por isso, a escultura será intitulada de Galo Artesão” informa a Prefeitura do Recife, que pretende enaltecer “a importância destes profissionais que fazem de Pernambuco um celeiro de talentos naturais”. Para dar vida à alegoria, trabalham na equipe doze carnavalescos da Bomba do Hemetério e mais oito técnicos do Arte Plena, empresa de Leopoldo em parceria com a irmã e sócia, Germana Nóbrega. Vamos aguardar, pois, o Galo Artesão 2019, alegoria que desperta a maior expectativa entre os foliões recifenses  que exigem beleza, pujança, elegância, exuberância. Quando o galo é tímido, como ocorreu em 2017, a gritaria é geral. Lembram disso, em 2017?

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Ilustração: Leopoldo Nóbrega/ Divulgação

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