Quatro milhões de canudos a menos no mercado: tartarugas agradecem

Todo mundo sabe que os plásticos se transformaram em vilões da natureza, principalmente dos rios e oceanos. A fauna marinha tem sofrido horrores, com bolsas, embalagens e, principalmente, os canudinhos que são deixados nas praias. As redes sociais não deixam mentir. Estão cheias de imagens dramáticas, mostrando o estrago que vêm sofrendo peixes, quelônios, moluscos, crustáceos nos mares não só do Brasil, mas do mundo. Os danos são tão grandes que, em alguns locais, esses materiais estão sendo proibidos. Felizmente, boa parte da iniciativa privada começa a despertar para o problema.  Agora mesmo a Nestlé  anuncia que uma de suas marcas, o Nescau, está fechando parceria com o belíssimo Projeto Tamar e prometendo a retirada gradual de 4 milhões de canudinhos plásticos  do mercado.

Eles são usados nas caixinhas do achocolatado, mas só serão totalmente substituídos por canudos de papel biodegradável até 2025. Até lá, a natureza vai ser poupada dos nocivos canudinhos em quantidade que, se colocados em fila, já no primeiro ano da iniciativa, renderiam uma linha que equivale a duas vezes a distância entre Aracaju e Salvador, segundo cálculos feitos pela própria Nestlé.  Os que amam a natureza, no entanto, gostariam que a eliminação dos canudos plásticos fosse bem mais rápida. “O processo acontece de forma gradual devido às limitações operacionais, já que não existem fornecedores suficientes para produzir em escala que atenda à cadeia do produto”, informa a Nestlé, referindo-se ao Nescau, líder no mercado e que marca presença em 70 por cento dos lares brasileiros.

Belíssimo, Projeto Tamar já tem apoio da Petrobrás e agora ganha reforço da Nestlé. E viva a natureza!

Nas próximas semanas, os consumidores encontrarão packs de Nescau, já com o novo canudinho. Como a fabricação de papel exige produtos de origem vegetal como matéria prima, é recomendável que a Nestlé explique, também, a origem  da celulose usada na fabricação dos canudinhos em suas embalagens. Por exemplo, se vem de projetos agrícolas sustentáveis. Seria importante que o consumidor soubesse dessa informação. E também que a corporação apoiasse iniciativas como pesquisas para transformar em papel material descartado na agricultura, como as folhas das bananeiras, riquíssimas em celulose.  O Nescau firmou parceria, também,  com o Projeto Tamar, um dos principais do país. O Tamar atua na preservação das tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção. Além do apoio financeiro aos projetos já existentes do Tamar, a marca trabalhará em conjunto com a instituição para criar novas ações e campanhas de conscientização e preservação do meio ambiente.  É a primeira vez que a Nestlé se une ao Tamar.

Nesses tempos de desastres como o de Mariana e Brumadinho – marcados por tragédias anunciadas e por criminosa economia (as barragens que estouraram tinham manutenção mais barata do que outros modelos mais seguros, que poderiam ter sido adotados) – é salutar que uma corporação como a Nestlé tenha como “ambição alcançar impacto ambiental neutro em todas as suas operações até 2050”.  Antes, até  2025, a Nestlé pretende que cem por cento de suas embalagens sejam recicláveis e reutilizáveis.  Além de anunciar a substituição gradual dos canudinhos de plástico, a Nestlé informa, ainda, que a partir de fevereiro,  lança através da marca Nescau – uma série de ações para ajudar a conscientizar seus consumidores da importância do descarte correto das suas embalagens. E também para diminuir a quantidade de plástico presente em seus produtos. As iniciativas também vão ao encontro do movimento #JogaJunto, que convida os consumidores a participarem de uma jornada de evolução, jogando juntos com a marca, pelo bem da natureza. Vamos, pois, esperar para ver o que acontece com as embalagens dos sorvetes, do Leite Ninho, da Farinha Láctea, do Leite Moça, Nescafé para ficar só nos produtos mais conhecidos da Nestlé, hoje presente em 194 países. Mais informações das iniciativas do Nescau podem ser obtidas no site oficial: www.nescau.com.br. E às 18h, veja, aqui no #OxeRecife, a história de uma comunidade que cria tartarugas para devolver aos rios, na Região Norte do Brasil.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação/ Nestlé

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