Frevo, abraço e história em Casa Forte

A verdadeira história do Largo do Holandês –  um pedaço quase desconhecido do bairro de Casa Forte – já foi contada aqui, no #OxeRecife. E o resgate do passado e da presença flamenga naquela área agora vai ganhar um registro permanente. É que no próximo sábado (9), o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, cumpre mais uma etapa da sua campanha A História nas Paredes, através da qual relata a importância histórica de nossas ruas, praças, logradouros.

Dessa vez, no entanto, a iniciativa não é só do Instituto, mas também de moradores daquele bairro da Zona Norte. É que reunidos no Grupo Casa Forte Mais Segura,  eles decidiram juntar forças e ideias para lutar por melhorias e também pelo resgate da sua história. Depois de revitalizar o Largo do Holandês, no ano passado, com plantio de mudas de árvores e pintura de seus muros e ponte,  o Grupo movimentou uma vaquinha (crowdfunding) através das redes sociais, para financiar a placa que relata a importância do local histórico, cuja história remonta ao século 17, durante a ocupação flamenga.

Placa da campanha “A História nas Paredes” será colocada no Largo do Holandês, em Casa Forte

Entre os líderes do movimento em defesa do Largo do Holandês, encontram-se o empresário Yves Nogueira (coordenador do grupo), o urbanista e arquiteto Francisco Cunha,  e a designer Gisela Abad. Francisco pertence ao Instituto, e foi o idealizador da placa. Abad atua como voluntária. O hoje deputado Jayme Asfora é outro nome a ser lembrado. Foi ele quem apresentou projeto de lei na Câmara Municipal, denominando o local. A festa para colocação da placa começa a partir das 8h30m do sábado, na Praça de Casa Forte, com um abraço no canteiro central. O ato será revestido de simbolismo, pois foi programado para mostrar à comunidade e às autoridades, como os moradores do bairro estão unidos em torno dos mesmos objetivos.

Da Praça, o grupo sai com cortejo musical, em clima de carnaval, com o frevo sendo executado. O destino é o Largo do Holandês, que fica ali bem pertinho, onde espera-se que a placa seja descerrada por volta de 9h30m.  Ela conta toda a história do Largo, para que a população fique bem informada sobre o seu passado e suas lendas. Para cair no clima da lenda contada por Gilberto Freyre – segundo a qual o fantasma de oficial holandês era sempre visto no Largo – os organizadores da festa recomendam que as pessoas cheguem vestidas de fantasmas (crianças e adultos). Para os que não sabem: o Largo do Holandês fica na confluência entre as ruas Samuel Lins (continuação da Harmonia) com a Flor de Santana (às margens do Riacho Parnamirim). A recuperação do Largo do Holandês tem apoio da Prefeitura, através da Secretaria de Inovação Urbana. Seria bom que a prefeitura se sensibilizasse, então, com a situação do Riacho Parnamirim, que passa no local, totalmente poluído.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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