Nostalgia no Parque da Macaxeira

Chego no Parque da Macaxeira, para minha caminhada matinal (o tempo estava instável e sacrifiquei a praia) e me defronto com uma movimentação incomum, no domingo. Logo, percebo o motivo: uma exposição de carros antigos atraíra uma multidão de curiosos. Sem que tivesse planejado, fiz uma viagem a um tempo não tão distante, ao lembrar de muitos dos carros que povoaram minha infância e adolescência, quando o símbolo de status era ter um Simca, um Belair ou um Cadillac. Não sei destes três, qual se costumava chamar “rabo de peixe”, porque era muito pomposo. Naquela época, quando a indústria automobilística ainda era um sonho no Brasil, recordo que havia muitos táxis que eram do modelo Studbaker.

Fiquei impressionada como os carros antigos despertaram a curiosidade do público. Era muita gente parando para olhar. De repente, um senhor passa dirigindo uma Brasília, carro da Wolkswagen que fez muito sucesso no século passado. Radiante, tendo ao lado a mulher e no banco traseiro três crianças, o cidadão diz para o público, em voz alta: “O sonho da minha mulher era andar em um carro antigo, e agora ela realizou”. Pouco depois, voltava com a relíquia, para entregar ao proprietário. Detalhe, as voltas iam do local da exposição, no interior do Parque, aos seus portões. Logo, uma outra família passa em um jipe vermelho, tão solene como se estivesse em um carro alegórico. O evento foi promovido pelo Clube dos Fuscas e VWs Antigos.

Apesar de promovida pelo Clube dos Fuscas, muitos outros modelos de veículos apareceram, para deleite de curiosos. Tinha gente  até fazendo selfie ao lado dos modelos mais raros ou luxuosos.  Havia fuscas, Puma GT 1600, Brasílias, Opalas, Simcas. Senti falta dos modelos: DKV – lembram da Vemaguete? – cujo motor tinha um barulho inconfundível. Também gostaria de ter visto os graciosos Douphine e Gordini. Eram modelos parecidos, mas o segundo era um pouquinho mais luxuoso. Na minha época de Universidade, como transporte era muito precário, meu pai doou o dele para mim e minha irmã mais velha, depois de ter adquirido um Corcel. Até hoje, tenho saudade do meu Gordini, pequeno e eficiente, e cuja placa começava com CR, motivo pelo qual meu pai o chamava de carrinho rápido. m

Com o Gordini – eu e meu pai –  fizemos viagem pelo Nordeste, atravessamos o São Francisco de balsa e visitamos cidades do outro lado do Velho Chico. Também fomos a Penedo. Ao procurar o modelo, na exposição de carros antigos, um dos sócios do clube me disse o que eu não sabia.”Gordini é um carro raríssimo”. Que pena…  Para mim, ele foi tão bonzinho. Eu adorava meu Gordini. Ia à Universidade, à praia, às festas noturnas e até namorava no carrinho que, hoje, é apenas uma  agradável presença do passado em minha vida. Do Gordini, passei para um Fusca 68, que nunca quebrava. Quando dava um probleminha, era “só trocar  o platinado”, que se achava em qualquer birosca, mesmo no interior. Mas o fusca ficou velho, e entrei na Brasília.  Da Brasília passei ao Gol, modelo com o qual namorei por longos anos. Era resistente como um jumento, e não tinha medo de água de chuva. Recentemente, aderi ao Pálio, por ser o mais baratinho. Até hoje, o meu não me deu problema. Dizem que vai sair de linha. Estou morrendo de pena, porque se tem uma coisa que não gosto de comprar, é carro. Puro comodismo. Quando quero um novo, chego  na loja e digo assim: quero o  mesmo modelo, só que o mais recente. E também a mesma cor e com o mesmo motor 1.0, já que é mais barato. E acabou. Tudo resolvido.

Se você curte um carro antigo, veja só a galeria de fotos:

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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