Anco Márcio resgata toda obra do pernambucano Luiz Marinho

Professor do Departamento de Literatura da Universidade Federal de Pernambuco, e um dos intelectuais do Recife que admiro, Anco Márcio Tenório Vieira acaba de escrever uma obra sobre Luiz Marinho (1926-2002), dramaturgo que tive o prazer de conhecer pessoalmente, ainda que por necessidade profissional.  E com quem estive durante entrevista, quando atuava em jornal de circulação nacional, ainda século passado. É que sua peça Viva o Cordão Encarnado fazia sucesso no Rio de Janeiro, onde ficava a sede do então Jornal do Brasil. Na época, eu era repórter do saudoso JB.

Com Luiz Marinho aprendi o que era incelença, cujo significado muitas pessoas dos centros urbanos ainda hoje desconhecem.  E uma das impressões que guardo de Luiz Marinho é a simplicidade. Ficaram, também, as lembranças da fala mansa e do bom humor.  Recordo bem o quanto conversamos, no terraço de sua residência, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.  Falamos, ainda, de uma outra peça, que durante décadas foi encenada em Pernambuco, sempre com casa cheia:  Um Sábado em 30, que também rendeu reportagens no jornais do  Sul, devido ao seu grande sucesso de público.

Agora, toda a produção e análise do extenso trabalho do pernambucano está em Teatro de Luiz Marinho – Obras correlatas, título da coletânea assinada por Anco  Márcio, e que enfoca o trabalho de Marinho, um dos autores de teatro mais encenados e premiados do Brasil. O lançamento será em noite de autógrafos, às 19h do dia 1° de fevereiro, no Teatro Hermilo Borba Filho, dentro da programação de Janeiro de Grandes Espetáculos.

Anco Márcio fez pesquisa exaustiva, que teve início em 2009. Reuniu textos inéditos e raridades resgatadas de sebos literários, publicadas em livros e revistas, fragmentos e peças com versões diversas. Ele adotou as últimas alterações feitas pelo dramaturgo como critério para publicação. A exceção foi Um sábado em 30, pois a primeira versão era a única completa, explica. Aliás, essa peça, estreada em julho de 1963, permaneceu em cartaz por aproximadamente 30 anos,  um recorde nacional. No Recife e em outras capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, a peça dirigida por Valdemar de Oliveira e encenada pelo Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP) fez sucesso. Levava o público a intermináveis gargalhadas. E chegou a ser comparada pela revista Veja, ao sucesso de A ratoeira, de Agatha Christie, que teve mais de 13 mil encenações. Viva Luiz Marinho! E parabéns a Anco Márcio, pela dedicação  e persistência.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação

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