O Índice de Felicidade Urbana do Recife

O primeiro país foi o Butão que, décadas atrás, criou o FIB, o Índice de Felicidade Interna Bruta, bem diferente de outros indicadores ocidentais, como o PIB, Produto Interno Bruto, através do qual o Brasil, por exemplo, avalia a pujança de sua economia. E houve tempo em que os números da economia significavam que o País estava bem.  Mas houve época em que as autoridades passaram a reconhecer que a economia ia bem, mas o país estava mal. Isso por conta de péssimos indicadores, na saúde, na educação, no mercado de trabalho. Ou seja, PIB ótimo, mas péssimo FIB.

O exemplo do Butão ganhou apoio da ONU, e foi repicado em outras nações. Modelos vários  para esse tipo de avaliação foram desenvolvidos. E atualmente a ONU até indica a Nação mais feliz do Planeta, no caso a Finlândia, tida como o mais feliz entre 156 países pesquisados em 2018. No Brasil, até já se falou em incluir na Constituição “assistência aos desamparados de felicidade”. Na nossa cidade, acaba de ser concluída a primeira etapa de uma pesquisa, que vai indicar o Índice de Felicidade Urbana do Recife. Foram 1.800 pessoas ouvidas, via Internet. A segunda fase do trabalho se inicia brevemente, com aplicação em campo.

Cenas como esta, na calçada do Mercado de São José, deve puxar para baixo o Índice de Felicidade Urbana do Recife.

A iniciativa é do Grupo Integrado de Estudos e Pesquisa em Economia do Inciti. O Inciti – Pesquisa e Inovação para as Cidades é uma rede de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe), que tem por objetivo incitar setores da sociedade em busca de soluções inovadoras, que transformem a vida das cidades (para melhor, claro). Entre os fatores levados em conta para avaliar o IFU do Recife estão vizinhança, economia e segurança, serviços públicos, conexões, saúde e meio ambiente. Os resultados ainda não foram divulgados. Mas algumas surpresas foram reveladas pela pesquisa. Por exemplo: acreditava-se que uma boa opção para os prédios ociosos do centro seria destiná-los para habitações dos trabalhadores do comércio. A ausculta  indicou que comerciários do Centro preferem mesmo é ficar nos seus bairros, mesmo que afastados, onde podem beber cerveja, jogar dominó ou ter outro tipo de lazer junto a velhos vizinhos, depois do expediente.

“O estudo mostrou, também, que a boa convivência com os vizinhos é um dos fatores citados pelos pesquisados, para que possam ser felizes”, comenta Circe Gama Monteiro, coordenadora da pesquisa. Ela informa que o estudo entra, agora, na segunda etapa, com pesquisa de campo. O trabalho foi desenvolvido de olho nas mudanças que passarão pela vida do morador do Recife, com a implantação do Projeto Parque Capibaribe, que pretende transformar o Recife em uma cidade jardim, com sistema de parques integrados ao longo de 30 quilômetros das margens do Capibaribe (15 quilômetros de cada lado). O projeto deve estender seus benefícios a 42 bairros da cidade. A previsão – pelo menos teoricamente –  é que esteja concluído em 2037, quando o Recife completa 500 anos. Acesse o #OxeRecife (oxerecife.com.br) às 18h, para saber se os recifenses estão felizes com a sua cidade. Do jeito que ela se encontra, você está?

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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