Cartão de Boas Festas vira relíquia

Há alguns anos, eram tantos que eu enchia com eles a minha árvore de Natal. Mas pelo que observo, os cartões de Natal ficam cada dia mais escassos. E como vem ocorrendo com postais, estão muito perto de virar peças de museu. Em 2018, pasmem, recebi apenas um cartão de papel, esse da foto, enviado pelo Instituto de Medicina Integral Fernando Figueira, o Imip. A ilustração traz tudo que o Natal tem direito: presépio, pastoras, reisado e boi.  O cartão do Imip é uma exceção. Votos de boas festas agora chegam aos montes, mas são virtuais.

E vêm alegres, coloridos e animados. Entram nos nossos registros de dezembro, pelo Facebook, e-mail e, principalmente pelo WhatsApp. Você recebeu algum cartão de Natal não virtual em 2018? Em caso positivo, é bom ir guardando. Em um futuro próximo, vai servir como peça de exposição em museu, como já ocorre com os postais. Lembro de pelo menos três exposições, aqui no Recife com postais dos séculos 18 e 19. E, em uma das ocasiões, conversava com uma amiga sobre uma das mostras. Quando mencionei a palavra postal, o filhinho dela, de cinco anos, perguntou: “O que é isso”?

Vai acontecer o mesmo com os cartões de Natal. Nossos netos e bisnetos dirão: “O que é isso”?Lembro que, quando criança, minhas tias tinham álbuns com postais, herdados dos avós. Alguns pintados ou com retoques a mão. Eram lindos e lembro de muitos deles até hoje. Recordo, também, de um cartão que, quando abríamos, uma borboleta linda e de papelão voava, não sei com qual mecanismo.  Já os cartões de Natal diminuem de frequência a cada ano. Penso que, em 2019, não chegará mais nenhum,  a não ser aqueles, virtuais, que todo mundo compartilha com todo mundo, sem uma só frase pessoal. Sinto falta daquelas mensagens individualizadas e até de cartões perfumados, que a gente recebia no aniversário, no fim do ano, na formatura. Agora, é tudo virtual. E  caligrafia bonita, uma mensagem própria e até cheiro de rosas, que é bom… nada.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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