Os pequenos escritores do Recife

Nesses tempos em que os órgãos públicos praticamente só alardeiam conquistas como a robótica e as notas do Ideb no meio escolar, nada como o registro de outras iniciativas que mexem com a criatividade, o raciocínio lógico, o mundo lúdico e até a realidade que circunda alunos da rede oficial do Recife. O #OxeRecife faz questão de registrar duas delas, ambas ligadas a um objeto que a titular desse Blog não vive sem ele: o livro, companheiro de horas vagas ou solitárias e indispensável para quem, como eu, não o dispensa na hora de relaxar na praia ou na rede.

São duas iniciativas paralelas,  as quais o #OxeRecife não quer que passem em branco. O primeiro registro vai para o livro Para ler o seu bairro, que acaba de ser publicado pela Fundação Joaquim Nabuco, dentro da Coleção Programas Institucionais – Educação pela Cidade. Organizado por Nadja Tenório Pernambucano de Mello e Veronilda Barbosa Santos, a sua publicação não teria sido possível sem o suporte de conteúdo do Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores, leia-se Ivana Cavalcanti, coordenadora do Programa. O Manuel Bandeira foi criado em 2006 no Recife, para incentivar o hábito da leitura. E a educadora e sua equipe motivaram as escolas e os alunos a produzirem livros artesanais sobre seus bairros. E ficaram lindos. A primeira leva – com nove bairros – acaba de ser, portanto, publicada pela Editora Massangana, da Fundaj. São cerca de 300 exemplares.

O ano de 2018 se encerra com produção de livros por parte de alunos da rede municipal: dois programas paralelos (AT)

O volume aborda a história e a forma como os estudantes percebem seus bairros.  E os locais enfocados na  primeira edição são: Pina, Estância, Jardim São Paulo, Torrões, Torreão, Sancho, Macaxeira e Coque-Joana Bezerra. “O Rio Capibaribe/ O bairro vai margeando/  Oferecendo fescor/ Nas palafitas passando/ Pena  está doente/ e o lixo ele vai levando”, diz um trecho do livro feito pelos alunos da Escola Municipal do Coque. Para o estabelecimento, as crianças guardam elogios: “Dentre as muitas escolas/ que se tem na comunidade/ a nossa, uma das maiores/ Em tamanho e qualidade/ Oferece um bom serviço/ Ao povo desta cidade”.

Já o Programa de Letramento do Recife (Proler) aproveitou o final do ano para apresentar livros publicados pela Editora Imeph, com conteúdo produzido por alunos da rede oficial do Recife. Ao todo 360 estudantes de turmas de Anos Iniciais de 53 escolas da rede municipal de ensino  participaram da ação, tendo em vista o tema do ano letivo de 2018, “Ler para sonhar, escrever para criar”. A mobilização rendeu sete livros em 2018, resultantes de produções coletivas ou individuais, com a publicação de mil exemplares, que serão distribuídos nas escolas.   Foram contempladas com publicações pela Imeph, escolas dos bairros da Imbiribeira, Macaxeira, Jardim Beira Rio, Casa Amarela e Prado. A Editora ressaltou cinco anos de parceria e o crescimento do programa. De acordo com Rodrigo Almeida, sócio da Imeph, o projeto “vem evoluindo a cada ano”. Isso, porque no primeiro ano foram apenas três livros publicados. Agora são sete. Talvez essa evolução pudesse ser um pouco mais rápida. Não acham?

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e  Antônio Tenório/ Divulgação/ PCR

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