O ferro na arquitetura no Recife

Chegamos, enfim, à última edição das Caminhadas Domingueiras, em 2018. Dessa vez, o tema foi a Arquitetura do Ferro no Recife, com destaque para alguns monumentos da cidade, como o Mercado de São José.  Como sempre ocorre, o nosso guia foi o arquiteto e urbanista Francisco Cunha,  que este ano liderou oito caminhadas, durante as quais nos foi dada a oportunidade de saber um pouco mais da nossa história. De mergulharmos nas diversas faces do Recife ao longo dos séculos, “passearmos” pela sua evolução urbana. Soubemos mais sobre os aterros no Rio Capibaribe, das pontes que se foram, dos graciosos arcos que funcionavam como portas de entrada da cidade e que sumiram, em nome do “desenvolvimento”.

Em 2018, tivemos a primeira caminhada do ano em Olinda (janeiro). Depois, vieram os 481 anos do Recife (março), Arquitetura moderna (maio), Estilos Arquitetônicos (junho), Estilo Colonial (julho), O Barroco (setembro), Neoclássico (novembro) e, por fim, a Arquitetura de Ferro (dezembro). Todas, mas todas mesmo, super didáticas. A arquitetura do ferro  foi uma das consequências da Revolução Industrial, e está entre os acontecimentos tecnológicos que marcaram os séculos 18 e, principalmente, o 19. No Recife, há exemplares preciosos, como O Mercado de São José, o Mercado de Casa Amarela, o Museu do Trem (antiga Estação Ferroviária do Recife), em que o ferro foi utilizado como elemento construtivo. Há, também, prédios que o utilizam em seus interiores:  a Faculdade de Direito do Recife, o Teatro Santa Isabel, a Casa da Cultura. Entre as pontes, temos, ainda em ferro, a da Boa Vista.

Entre os prédios que visitamos, está o Mercado de São José, o primeiro exemplar de mercado pré-fabricado, em ferro, do Brasil (1875). Inspirado no Mercado de Grenelle (FrançaProjeto), o de São José teve projeto original assinado pelo francês Lieutier, que contou com a experiência de Vauthier (que já tinha feito vários trabalhos no Brasil, mas que estava residindo na Europa). Foi então enviado o projeto para que ele fizesse as devidas modificações, de acordo com as necessidades do nosso clima.  E ele sugeriu uma série de modificações, inclusive trocar “o vidro das janelas por venezianas para facilitar a circulação do ar”, segundo Francisco Cunha. No livro Arquitetura do Ferro no Brasil, o autor, Geraldo Gomes da Silva reproduz o relatório de Vauthier com 42 sugestões ou explicações de despesas para mudanças no projeto original. Francisco Cunha assegura que o Mercado de São José é o único de sua época, no Brasil, que funciona com a mesma estrutura e finalidade. “É uma referência nacional e mundial”.

Visitamos, também, a Ponte da Boa Vista  que foi inaugurada em 1876, sendo esta a terceira versão de outras pontes. A original, datada de 1640, surgiu durante o domínio holandês, comandando por Maurício de Nassau. A ponte atual foi construída em estrutura metálica. Grande parte do seu ferro batido veio da Inglaterra.  Da Ponte, rumamos para a Casa da Cultura, que é construída em alvenaria, mas cujas estruturas internas são em ferro. De acordo com Francisco Cunha, os gradis e as grades de ferro das celas foram fabricados em fundições do Recife. Funcionando como Casa da Detenção do Recife até 1973, a edificação foi construída entre 1850 e 1867. Por fim, visitamos a antiga Estação Ferroviária, hoje Museu do Trem, ao qual o #OxeRecife vai dedicar uma postagem à parte, já que está completando 130 anos. Veja a galeria de fotos, sobre alguns locais que hoje visitamos:

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Texto e galeria de fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

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