Joias para rainhas e princesas em livro

Nascida no Recife, em 1941, Clementina Duarte é reconhecida internacionalmente pelas suas criações inovadoras, e é tida como o grande nome do design de joias no Brasil. Ao longo de 50 anos de dedicação ao ofício, calcula que já tenha desenhado nada menos de 6 mil joias, grande parte exclusiva. Suas criações adornam pulsos, dedos, orelhas, colos, cabeças e até corpos de princesas e rainhas. Já criou joias de casamento da Princesa de Abu-Dhabi; para a então primeira-dama da França, Danielle Miterrand; para a Rainha Elizabeth II; para a primeira-dama da Rússia Lyudmilla Putin; e para Hillary Clinton, ex-primeira dama dos Estados Unidos.

Ou seja, uma clientela de respeito. Agora, o trabalho de Clementina está documentado em livro, a ser lançado  no Museu do Estado de Pernambuco, em iniciativa da Cepe, editora oficial do Estado. O livro catálogo  Clementina Duarte: 50 anos de Arte e Design será apresentado à sociedade a partir das 19h da próxima quinta-feira (6/12), na sede do Mepe. O valor do livro ainda não foi divulgada pela Cepe.  O volume tem 344 páginas, é bilíngue e traz mais de 200 fotografias das preciosas, premiadas e famosas criações de Clementina, expostas no mundo inteiro, encomendadas e usadas por anônimas, princesas, rainhas, primeiras damas de países poderosos.

Clementina Duarte já rendeu livro nos Estados Unidos e ganha uma outra edição pelos 50 anos criando joias.

A turnê brasileira de lançamento do livro começa no Recife, com direito a exposição de fotos das joias, sob curadoria da crítica de arte paulistana Ana Cristina Carvalho, que também escreve no livro, ressaltando a incessante busca de Clementina pela pesquisa de técnicas e materiais e pelo apuro e rigor do design. “Essa produção internacional e atemporal expressa a elegância e a tradição da ideia de beleza clássica do seu requintado trabalho e procura responder aos desejos e sonhos das princesas e rainhas do imaginário das mulheres do mundo”, define Ana Cristina. O livro também traz bibliografia, cronologia e textos selecionados pelo marido de Clementina, Nelson dos Anjos. Assim como  escritos por especialistas e escritores como Gilberto Freyre, a jornalista americana Cynthia Unninayar (editora-chefe da publicação americana International Jeweler Magazine) e os arquitetos Oscar Niemeyer e Charlotte Perriand  (criadora do mobiliário de Le Corbusier).

Esses dois últimos grandes nomes da arquitetura incentivaram Clementina a se tornar designer de joias e a se inspirar no Modernismo quando ainda era estudante de Arquitetura, profissão que deixou de lado para se dedicar à joalheria.  Pelas mãos de Clementina,  brincos, colares, anéis, broches, pulseiras  e até joias de vestir têm adquirido formas ora ousadas, ora delicadas, feitas com fios de ouro, prata, diamantes, turquesas, ouro branco, amarelo, rubis, topázio, pérolas, tanzanita, rubelita e morganita. Em 1967, o estilista Pierre Cardin já tinha caído de amores pelas obras de Clementina e, pela primeira vez, a joia moderna se aliava à moda. Em 2006, foi lançado nos Estados Unidos um outro livro sobre a artista: Clementina Duarte – A Arte e o design da joia moderna brasileira.  A publicação  divide as joias de Clementina em quatro grupos: personalizadas, recriadas, esculturais e as do cotidiano. Também mostra as primeiras joias e fala na arte e no design no trabalho de Clementina. Tenho o primeiro volume, 241 páginas de puro deslumbramento.

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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