Prótese de casco em 3D salva jabuti

Vejam só que coisa boa. Enquanto tem gente que maltrata os animais silvestres que aparecem em ruas, avenidas e terrenos baldios do Recife – tangidos das matas devido à destruição da vegetação nativa –  esses mesmos bichinhos já contam com um equipamento de primeiro mundo, para se recompor, reconquistando partes do corpo que foram perdidas ou quebradas: patas, bico ou até mesmo o casco grosso, como os dos jabutis. Tudo, graças à tecnologia, claro.

Em Seminário sobre Biodiversidade, realizado nesta semana no Recife, uma das apresentações que mais chamou a atenção do público foi justamente a  Prótese 3D: novas perspectivas em saúde animal. Quem fez a explanação foi a médica veterinária Maria Ciência Oliveira. Professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco e Doutora em Ciência Animal, ela mostrou a prótese colocada em um jabuti, que teve o corpo queimado. Sem a casca artificial, o quelônio não teria outro destino: a morte.

“Hoje, temos esse recurso, que distancia os animais  da opção  de sofrerem eutanásia”, comemorou. A produção da prótese para o jabuti foi possível através de impressora 3D, que de propriedade da Agência Estadual do Meio Ambiente, desde 2017.  O animal está sob cuidados do Centro de Triagem de Animais Silvestres da Cprh, Cetas Tangara.

E a impressora 3D foi cedida pela Receita Federal de São Paulo, depois de amplas negociações. A DeeGreen  havia sido apreendida em operação contra comércio ilegal, e hoje presta um grande serviço, pois cinco por cento dos animais que chegam ao Cetas possuem algum tipo de mutilação.  Com a impressora, as partes que faltam são confeccionadas e colocadas  nos bichos atendidos. O trabalho já chamou atenção da imprensa chinesa, que vai enviar uma equipe ao Recife, para mostrar a produção de próteses em 3D para os animais. O caso mais avançado é o do jabuti, mas outros animais estão em preparação para ganhar próteses: arara, tucano e passarinho.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Francis Palhano/ Divulgação/ Cprh

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