“Andarapé” vai ao Jardim Secreto no Poço da Panela: roteiro na Zona Norte

O tempo de confraternizações de fim de ano já começou. E hoje foi dia de juntar a turma do Andarapé, um dos mais atuantes grupos de caminhadas do Recife, que iniciou seu dia – claro – andando, apesar da chuva fina. O roteiro terminou no Bar Boca da Mata, em Dois Irmãos, para a festinha reunindo o pessoal, com brincadeiras e a inevitável sessão de amigo secreto. Fui acompanhar a saída do grupo, na Praça de Casa Forte, mas não participei do percurso porque contraí uma gripe bem pesadinha, que só me aconselha repouso. Haja saco e paciência! Recentemente fiz o mesmo percurso com o grupo Menin#s na Rua (com direito a trilha na Mata Atlântica) e no ano passado, também, o mesmo roteiro com o Caminhadas Domingueiras (indo até o Solar do Prata)

Ainda bem que a caminhada desse sábado foi pela minha “praia”: Casa Forte, Santana, Poço da Panela, Monteiro, Apipucos, Dois Irmãos. Como moro na querida Zona Norte desde que nasci, caminho sempre por esses lugares, e não perdi muito hoje porque conheço aqueles bairros como a palma da mão. Mas, com certeza, aprenderia algo a mais com a assessoria do trilheiro Carlos Alberto Alves de Lima, que hoje foi o guia do grupo. O Andarapé é coordenado por Ana Maria Almeida. E faz caminhadas gratuitas pelo Recife e Olinda, as quais normalmente contam com as aulas de história de Stemberg Fernando de Assis. Quando ele “puxa” o pessoal, a turma sempre pede bis. O cara é bom. Foi assim com o passeio pelas ruas históricas de Olinda e pelo Circuito Poético do Recife.  Ana e ele já prometeram repeteco. Mas a Andarpé eventualmente organiza excursões pagas por Pernambuco e também por outras áreas do Nordeste. Já estou inscrita para o dia 2 de dezembro, quando visitaremos os túneis de Gravatá, da nossa saudosa linha férrea.

O bonito prédio do Colégio dos Irmãos Maristas, em Apipucos, esteve no roteiro do Andarapé desse sábado

Hoje os caminhantes passaram pelo Poço da Panela, que foi habitado pela aristocracia nos séculos passados (suas terras eram ocupadas por engenhos). E a qualidade das águas do Rio Capibaribe, indicadas na época para banho, como forma de tratamento para alguns males de saúde.  No Poço, o pessoal do Andarapé esteve em frente à casa que fica em terreno onde residiu José Mariano (1863-1917), abolicionista que, juntamente com a mulher, Olegária (1859-1898), utilizava o rio, para embarcar escravos livrando-os do cativeiro. Os fugitivos iam de canoa até o porto do Recife, de onde saíam para Fortaleza, que abolira antes a exploração dos negros. Ainda no Poço, o pessoal também conheceu o Jardim Secreto, vitoriosa iniciativa dos moradores do bairro, que criaram um coletivo para recuperar área de 3 mil metros quadrados, que vivia degradada e cheia de lixo, à margem do Capibaribe. Hoje o espaço é área de convivência e promove eventos atraindo moradores de outras áreas do Recife.

Os caminhantes também passaram por Apipucos, um dos bairros mais bucólicos do Recife. E que foi moradia de estrangeiros até o início do século passado: empresários ingleses, alemães, franceses  que trabalhavam na instalação de linhas férreas, abastecimento de água, e outros serviços urbanos. O bairro era tão importante que foi o primeiro a contar com transporte público entre o Recife e o Centro. Os relatos sobre a época estão presentes em livros sobre o bairro, inclusive no Apipucos, o que há num nome, de Gilberto Freyre. O solar onde ele morou e escreveu a maior parte de sua obra também foi visitado. Antes, os caminhantes passaram por Monteiro, onde fica uma das sedes da Fundaj, instituição criada pelo sociólogo, no século passado.

Em Apipucos, estiveram em outra unidade da Fundaj,  que é instalada na casa onde viveu o empresário Delmiro Gouveia (1850-1912), homem visionário, à frente do seu tempo nos negócios.  Ainda em Apipucos,  visitaram o belo prédio dos Irmãos Maristas, que fica no alto de uma colina, de onde se observa boa parte do bairro. Depois, seguiram para o Boca da Mata. Quem quiser estender o passeio pela Zona Norte, pode contar com boa música, a partir das 20h30m desse sábado, no Poço das Artes, onde o Duo Sensível   se apresenta. Paulo Albertim (no cavaquinho) e Marco César (no violão de sete cordas) trazem o melhor da MPB para o público (ver vídeo nas redes sociais do #OxeRecife).  O Poço das Artes fica na Rua Álvaro Macedo, 54, no Poço da Panela. O couvert custa R$ 15 em espécie. Já conferi  várias vezes a programação do Poço das Artes e recomendo. É sempre da melhor qualidade.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Ana Maria Almeida/ Andarapé/ Cortesia

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2 comentários

  1. Passaram também pela Praça do Monteiro onde está instalada hoje a melhor Academia da Cidade, o Club 17, ao lado do Palacete onde residiu o Governador Cid Sampaio – 1958/1962 – e sua mulher, a marcante Primeira Dama, Dona Dulce de Souza Leão Sampaio.

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