Público tem acesso a acervo de 132 mil documentos deixados pelo Dom da Paz

Ele dizia que “depois da escuridão da noite, vem o clarão da madrugada”. Isto, em uma época  em que a política brasileira era marcada pelo obscurantismo, na qual os “subversivos” morriam torturados nas masmorras do regime. E a censura campeava inclusive na Imprensa. Ele próprio era figura censurada nos jornais da época. A simples menção ao seu nome era proibida. E nós, jornalistas, éramos obrigados a entrevistar, então, o Arcebispo Auxiliar, Dom Lamartine Soares. Dom Hélder Câmara, nem pensar. Seu nome era proibido de ser veiculado na imprensa amordaçada de então.

Mas o arcebispo usava de todos os meios para denunciar o que ocorria no Brasil, e fazia ouvir o seu grito no exterior. Agora, o legado de um dos mais aguerridos e célebres defensores dos direitos humanos que a Igreja Católica produziu no Brasil está acessível a todos. É que a partir das 16h dessa sexta-feira (23), o acervo digital do Instituto Dom Helder Camara (IDHeC), será lançado na Igreja das Fronteiras. São nada menos de 132 mil documentos que estarão acessíveis ao público, um prato cheio para historiadores.

Cartas, crônicas, discursos, registros na imprensa e fotografias estão entre os documentos, devidamente catalogados e digitalizados. A iniciativa foi possível  devido a convênio firmado entre a Prefeitura (por intermédio da Secretaria de Cultura do Recife) e o IDHeC.  A execução é da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). “Em reconhecimento à importância de Dom Helder e de cada uma de suas palavras para o mundo, a Prefeitura do Recife investiu R$ 100 mil na digitalização dos documentos”.

O material ficará permanentemente disponível no acervo digital da Editora Cepe (http://www.acervocepe.com.br/), para livre consulta, a partir de qualquer lugar do mundo, de hoje em diante. Dom Helder Câmara (1909-1999) foi um religioso que atuou em várias cidades do Brasil, mas foi no Recife onde mais se destacou internacionalmente, como referência na defesa pelos diretos humanos. Ele chegou a Pernambuco em 12 de março de 1964, poucos dias antes do golpe militar daquele ano. E marcou sua trajetória na defesa da paz, do estado de direito e contra a ditadura e a fome. Chegou a ser indicado para o Nobel da Paz.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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