Baobá, o “jardim” de árvores decepadas

Eu adoro o Jardim do Baobá. Como já disse aqui, conhecia há tempo a árvore, com a qual me encontrava, sempre, em minhas caminhada diárias. A planta secular vivia isolada, no meio de um matagal, e era esquecida pela população e pelas autoridades.  Mas nunca deixei de visitá-la. Felizmente a árvore mágica e agregadora conta agora com essa área à margem do Rio Capibaribe, que virou um ponto de referência e convivência no Recife. Recentemente a Prefeitura anunciou que o Jardim ganhou mais 750 metros quadrados, o que ampliou sua área para 3.000 metros quadrados. Ótimo.

A nova área ganhou até festa de inauguração. Estive lá, há alguns dias, para conferir. Mas fiquei muito triste com o que vi. O novo trecho – resultante do recuo do Bufê Vila Ponte D´Uchoa – não tem bancos de praça, nem canteiros floridos e pouca ou quase nenhuma sombra. Pior: foram colocados no local pedaços de tocos, resultantes de corte de árvores.  A população – inclusive o #OxeRecife – sempre reclama do arboricídio em nossa cidade, onde as árvores não ganham tratamento fitossanitário adequado e vivem sendo degoladas. Imaginem, então, a extensão de um “Jardim”, onde os “equipamentos urbanos” não passam de tamboretes resultantes da guilhotina.

Apesar da presença da árvore mágica, Jardim do Baobá ganha ampliação com área de bancos de árvores decepadas.

Não, sinceramente, não gostei. O Jardim do Baobá, que fica no bairro das Graças, merece coisa muito melhor e é com isso que eu conto. Aliás, a população conta. Porque, sinceramente, uma inauguração com festa de um jardim de árvores decepadas é um escárnio para o Recife.  E o Recife merece coisa melhor. Até porque aquela área está investida não só dos poderes sagrados e mágicos da planta de origem africana, como também por ter um lado simbólico.

É que o Jardim do Baobá representa o pontapé inicial do Parque Capibaribe, que deve transformar o Recife em cidade jardim, por volta de 2037, quando ela completa 500 anos. Dizem as autoridades que até lá, o nosso Recife multiplicará por dez a quantidade de área verde por habitante. Hoje essa proporção é de 1,2 metro quadrado por morador. Em 2037, essa proporção deverá chegar a 12 metros. Portanto, nada como começar arborizando a extensão do jardim, porque nenhum parque do mundo se constrói com árvores decepadas.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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