Lembram do fícus da Rua da Aurora?

Vocês lembram dessa cena? Parecia uma hecatombe. O fícus imenso, ficava em uma das cabeceiras da Ponte Santa Isabel, na Rua da Aurora. Era um dos cartões postais do Recife. Muita gente parava ali, à margem do Rio Capibaribe, para ser fotografado.  A planta formava uma moldura especial com a estátua do poeta João Cabral de Melo, bem pertinho, que até se beneficiava de sua sombra.

Na esquina, muitos ambulantes que vendem água mineral e balas nos sinais, aproveitavam sua copa imensa para esfriar a cabeça, já que durante o verão, o sol do Recife é escaldante. No final de agosto do ano passado, a árvore foi “erradicada”. Deixou um rombo tão grande no chão, que parecia ter sofrido um bombardeio. Aqui no #OxeRecife, só no Facebook, mais de 5 mil pessoas leram a postagem sobre o assunto. E dezenas de mensagens enviadas pelos leitores lamentavam o final de árvore tão emblemática na paisagem da cidade. Ela inclusive fazia parte das memórias afetivas de ´várias pessoas que, por um certo tempo, trabalhavam naquelas redondezas.

Fícus da cabeceira da Ponte Santa Isabel ganhou reposição, mas sombra ainda vai demorar no meio da grama seca.

Agora percebam como é importante que se cuide com zelo maior da nossa arborização. Enquanto o fícus tinha uma copa imensa, que sombreava um trecho da Rua da Aurora e outro da Ponte, a árvore plantada no seu lugar ainda tem muito o que crescer. É por isso que o #OxeRecife faz a campanha Parem de Derrubar Árvores. Porque o que se vê é muita poda radical, que termina por matar a planta. E também ação sistemática de motosserra insana, que deixa a cidade com “tamboretes” (troncos) em ruas, praças, jardins públicos.

E a apreensão, aqui no #OxeRecife, tem seus motivos. Primeiro, porque nem sempre se repõe outra árvore no local da que foi guilhotinada. Segundo, porque muitas mudas são tão frágeis, que morrem antes de completar um mês de plantada nas calçadas.  Terceiro, porque para os vândalos de rua, é mais fácil matar uma muda do que uma árvore adulta. Sim, eles têm mania de destruir o que se encontra  nas calçadas.  Até as plantas ainda frágeis. Tanto  é assim, que 30 por cento das mudas plantadas no Recife não chegam à idade adulta. Morrem de sede ou por culpa de gente má e sem noção, o que é uma tristeza. Torçamos, pois, para que as autoridades do Recife se conscientizem da necessidade, cada vez maior, de zelo com as árvores da cidade. Afinal, respirar é preciso.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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