Intimidade com a natureza em Alter

Enfim, em Alter do Chão, praia fluvial do Rio Tapajós, que sempre tive vontade de conhecer, desde que vi umas fotografias em uma revista. Foi amor à primeira vista, pois nunca antes nem sequer tinha ouvido falar no local. Mas, diante de fotos de paisagens tão deslumbrantes, pensei logo: vou lá um dia. Soube depois, que Alter é tida por alguns jornais estrangeiros como a praia fluvial mais bonita do mundo.  A época de visitá-la é esta, porque a partir de dezembro o rio começa a subir e os bancos de areia e lagoas que fazem a festa de turistas e nativos tendem a desaparecer.

Ainda bem que a “invasão” do Rio Tapajós é em caráter temporário. Porque quando começa o verão, com o rio mais seco, tudo volta a ficar do mesmo jeito, com dunas, ilhas, lagos. Quando ele enche, as  praias desaparecem. Eu e meu amigo Fernando Batista viemos de transporte coletivo, saindo de Santarém (que por sua vez fica a 1374 quilômetros de Belém). O preço da passagem é barato: R$ 3,60. A rodovia (PA-457) está em bom estado, e ao longo dos 40 quilômetros de distância entre Santarém e Alter do Chão encontramos muita vegetação, alguns riachos e poucas casas. Ao chegarmos a Alter, jogamos a bagagem no hotel e fomos andar pela beira da praia de areias brancas e finas. Entre ida e volta, foram mais de quatro horas de pé na areia.

Nessa lagoa, o silêncio era muito grande, e foi muito gostoso curtir apenas os sons da natureza.

Não tardou muito na nossa caminhada de ida, e encontramos um pequeno igarapé. Decidimos seguir o seu caminho. Chegamos em uma lagoa, cercada de árvores, com canoas ancoradas em meio a um silêncio confortador (principalmente para quem está habituado à poluição sonora do Recife, cada dia pior, inclusive na praia de Boa Viagem). Decidimos mergulhar na lagoa e ouvirmos os sons da natureza. Houve um momento em que percebi o canto de seis espécies diferentes de aves. Tudo ao mesmo tempo. Só consegui distinguir mesmo o canto do bem-te-vi. Soube, ao retornar ao hotel, a partir do mapa que nos foi fornecido que fomos à Lagoa do Jacundá.

Como são lindos os sons da natureza. Depois, fomos curtir o barulho do movimento das águas do Rio Tapajós, que parece um mar, de tão azul. Em seguida, caminhamos por quase duas horas, pela beira da praia, e ao longo do percurso vimos muitas matas, e pouquíssimas construções. Praia deserta, silenciosa, maravilhosa. E aí, decidimos mergulhar, outra vez, só que dessa vez no “mar” que é o Rio Tapajós. Uma delícia. Na volta,  Fernando um pouco à frente, me defrontei com um cidadão de costas, na água. Achei que o homem estava com uma bermuda muito apertada, cor de rosa.  Mas… qual nada. Estava era mesmo era nu. Saiu da água, naturalmente, como se estivesse saindo do banho em sua própria casa. Dei bom dia e, meio encabulada com a cena inusitada, segui meu caminho, pensando em como a intimidade com a natureza selvagem deixa as pessoas assim, tão à vontade.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fernando Batista/ Cortesia

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