Casa do Barão de Santarém poderia ser um museu, uma casa de cultura, mas está quase em ruínas

O casarão do Barão de Santarém

Me perdoem a ignorância. Mas, sinceramente, nunca tinha ouvido falar em Miguel Antônio Pinto Guimarães (1808-1882). Vocês já o conheciam? Talvez sim, se falarmos no Barão de Santarém, título que lhe foi concedido pela Princesa Isabel, em 1871. O homem foi Juiz de Paz, Coletor de Rendas e… Comandante da Guarda Nacional. Somente. Como político, foi vereador e Presidente da Província do Pará, cargo que corresponde ao de governador.

Como estou de passagem em Santarém, soube da existência do Barão, por conta de um  aristocrático sobrado, que fica na Rua Limeira Bitencourt, perto do centro e da Orla de Santarém. Gosto de edificações antigas, e o sobrado me chamou logo a atenção.  Fui lá, pensando tratar-se de um museu. Mas havia um cadeado na porta, e vi – de fora – que o telhado está em estado precário. Mas a imponência me fez parar, e pensar nos anos em que a borracha valia ouro por essas bandas e dos milionários que dela viveram.

Para minha tristeza, o casarão secular está fechado. Sem uso. Na fachada, um cartaz quase destruído pela ferrugem permite uma leitura sobre o imóvel, embora com sacrifício, porque as legendas estão quase apagadas. O casarão é o segundo mais antigo de Santarém, possui três pavimentos e fachada com sete janelas. De acordo com a placa, o estilo é colonial. “Seus aposentos eram limpos, bem mobiliados e de suas sete janelas, via-se até um piano vertical”.

Fala ainda, em “criadagem fusca” em luxo tão grande que tinha-se a impressão de “não estar no Brasil, para não falar nos Tapajós”.  As dezenas de quartos e salas eram mobiliados com “móveis europeus”. Ou seja, para o resto do Brasil, o Barão de Santarém pode ser um desconhecido. Mas para Santarém, ele tem muito significado, foi uma figura ilustre. E, portanto, o casarão onde viveu merecia uma restauração e um museu com a história do Barão ou, no mínimo, da Cidade, que fica a mais de mil quilômetros de Belém mas que é a terceira maior do estado e, portanto, teria condições de, pelo menos, preservar sua história e sua memória.

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Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife

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