O barco “xará” que achei em Santarém

Há uns três anos, abri uma revista em meu curso de Inglês, e tomei um susto com fotografias de uma bela paisagem. O nome do lugar: Alter do Chão, uma praia fluvial do Rio Tapajós, no município de Santarém, a 1374 quilômetros de Belém. Foi amor à primeira vista. Não me informei direito e, há dois anos, quando estive no Pará, pretendia ir àquele local, considerado por jornais estrangeiros como o Caribe Brasileiro. Dizem, também, que é  a praia fluvial mais bonita do mundo. Resolvi conferir. Mas ainda não cheguei lá.

Cheguei hoje à tarde em Santarém com um amigo, Fernando Batista, meu companheiro de aventuras por esse Brasil baiano, amazonense, paraense, ou seja, o que quisermos visitar. E quando estivemos em Belém, há dois anos, ficamos diante de um dilema: ou conhecíamos bem a Capital do Pará ou íamos a Alter. Então resolvemos explorar a cidade das mangueiras (e são muitas, nas praças, com revoadas de jandaias aos finais da tarde) em 2016. E programamos Alter do Chão para 2018. Mas teria que ser até esse mês, novembro. Porque depois, vem a temporada de chuvas e as praias, simplesmente… desaparecem.

Aliás, eu pensava que era Álter. Mas os paraenses chamam Alter, a palavra oxítona. Já corrigi a fonética. Mas antes de irmos a Alter, resolvemos dar uma parada em Santarém, a terceira maior cidade do Pará, só perdendo para a Capital e Ananindeua. Já era tarde quando chegamos, mas ainda a tempo de almoçarmos um saboroso pirarucu (embora meu preferido continue sendo o peixe filhote). Fizemos um pequeno passeio pela Orla do Rio Tapajós, presenciamos a saída de barcos (onde os passageiros viajam em redes), e achei até um ancorado com o meu nome, esse daí da foto. Ou seja um barco xará. Ouvimos muitas histórias, conversamos com separatistas (pessoas que querem que um pedaço do Pará se desmembre e vire o Estado de Tapajós),  e também com pessoas que sonham com a cidade cheia de arranha-céus (meu Deus…).

Santarém ainda é horizontal, tem poucos prédios. A cidade possui edifícios antigos em mau estado de conservação – como a linda “Casa do Barão” –  e seus museus estavam todos fechados. O rio, como tudo na Amazônia, é imenso e a gente não consegue ver o outro lado. Uma embarcação descarregava melancias, e o barqueiro me informou que são três horas navegando, para chegar ao plantio. Mas há localidades por aqui “por perto” que demanda de seis a sete horas de barco. Perto do Centro de Santarém, há duas praias muito frequentadas: Juçara e Maracanã, que devemos conferir amanhã, antes de irmos a Alter do Chão. Faremos, depois, trilhas pelas matas, conhecendo melhor a Flona – Floresta Nacional dos Tapajós. Logo eu… que adoro árvores, matas, animais….

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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