Prefeitura destrói área protegida. Pode?

Como se não bastassem os estragos que a gente assiste no Recife (onde as árvores são barbaramente guilhotinadas) e em Paulista (na qual a cobertura vegetal vem sendo criminosamente destruída) a Região Metropolitana acaba de sofrer mais um prejuízo para o meio ambiente. Dessa vez no município de Camaragibe, onde 1830 metros quadrados de área protegida foram destruídos por ordem da própria Prefeitura.

A área  em questão fica no Parque Municipal Aldeia dos Camarãs, que por sua vez integra a Área de Preservação Ambiental Aldeia-Beberibe, que funciona como um dos  últimos “pulmões”da RM do Recife. De acordo com a Prefeitura, o desmatamento seria para abrir uma estrada ligando a PE-27 à Comunidade do Cajá. O problema é que o Prefeito Demóstenes Meira não levou em conta que ali fica a nascente do Rio Pacas (um dos motivos da área ser protegida) e que teria que ter licenciamento ambiental para execução da obra, já que ali há, também, uma ação de reflorestamento de mudas nativas da Mata Atlântica. O local estava sendo preparado para ser o primeiro viveiro florestal de Pernambuco, com capacidade para produzir 100 mil mudas de árvores nativas. Somente.

Mesmo com a interdição, 24 horas antes, Prefeito desafiou Cprh e voltou a destruir mata em Camaragibe, na RM

 

A confusão começou na quarta-feira (com interdição da obra e aplicação de multas) e prosseguiu na quinta (quando a Prefeitura teimou em fazer a estrada na marra). E lei, gente, existe para quê, então? Mesmo depois da interdição, o homem foi lá com as máquinas e ordenou que os trabalhos continuassem, na quinta. Aí, a coisa pegou fogo. Resultado: Inquérito policial na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (Depoma), mais de R$ 58 mil em multas e a necessidade de ter que se explicar mediante o Ministério Público de Pernambuco.  A ação de notificação e interdição da obra partiu da Agência Estadual do Meio Ambiente, órgão responsável pela liberação de licença ambiental para execução de obras.  Como a autoridade municipal desafiou a Cprh, o órgão encaminhou o caso para o MPPE. E tinha mais era que enviar mesmo.

Em nota enviada à imprensa, a Prefeitura classifica a obra de “emergencial”. Aí, pergunto: será que não tinha outra alternativa menos danosa à já nossa agredida Mata Atlântica. Pior, na nota, o Prefeito alega ser “importante frisar” que “o que é alegado, como nascente (do Rio Pacas) está seco há anos”. Ah, tá. Então o Prefeito não sabe que em uma área de mata regenerada e reposição de matas ciliares, as nascentes, rios, riachos votam naturalmente? Degradar, acabar com as matas é fácil. Difícil é viver sem ela e conviver com a mudança de clima depois. Ou ele não sabe disso? Aliás, pelo menos aqui na RM, são muitos que não sabem disso. Dêm só uma voltinha em Paulista, Jaboatão, Cabo de Santo Agostinho. E até mesmo no Recife, onde as áreas verdes urbanas não são tratadas como deveriam. A Apa Aldeia Beberibe tem 31.000 hectares e se estende por oito município da Região Metropolitana.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Cprh/ Divulgação

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