Praia, funk, eleição e esperança

Meu plano, hoje, era igual ao de sempre, aos sábados e domingos. É uma rotina religiosa, desde que deixei de trabalhar em jornal de circulação nacional em que era correspondente. E no qual, em dias como esse domingo, teria que correr da cama, participar de café de manhã dos principais candidatos, acompanhar a hora da votação, ver o comportamento do eleitor, esperar a abertura das urnas, fazer repercussão dos resultados. Neste ano de 2018, graças a Deus – e com direito ao meu merecido descanso por tempo de trabalho – tenho como votar na hora que quiser e fazer do meu dia, também, o que quiser. Mas a chuva impediu meus planos.

Como a maré está baixa, pretendia andar bem cedo, na areia durinha da praia. Depois dar aqueles mergulhos que revigoram corpo e alma. E só ia votar no final da tarde. Ontem andei, encontrei uma amiga, conversamos, falamos de política – inevitável – e … caí na água. Conversando com um amigo, morador de Boa Viagem, com o qual sempre encontro e com quem troco ideias sobre tudo. E, também, sobre política. Mas, no sábado, cansada de tanto radicalismo, de ver o país tão belicosamente dividido, de ver amizades se desfazendo por conta de divergências políticas, queria mais era conversar sobre amenidades. E era o que fazíamos, eu e meu amigo.

Mas de repente, a cachorrada do nosso lado. O assunto: o de sempre. Quem é o melhor para o Brasil? E as discussões eram com fundamentos tão equivocados que nos afastamos. Aliás, foram três as vezes que, no mar, fomos para longe de conversas sem pé nem cabeça, para não perdermos o dia. No quarto bate-boca do qual não queríamos participar, meu colega perdeu a paciência e começou a discutir. Eu fui para areia, peguei minhas coisas e pensei: está na hora de ir embora. O estresse está ficando demais. Pior do que a caixa de som do meu vizinho de guarda-sol, que botou um funk no maior volume, como têm feito mal educados sem noção que estão inaugurando a nova mania do verão em Boa Viagem. Dançando o funk, o casal agia como se não houvesse amanhã.

Parecia indiferente à manutenção do que está aí, para algum tipo de avanço (?) ou para o retrocesso. Com a chuva que caiu hoje, deixei de ir à praia, minha saudável rotina de domingo. E fui votar cedo. Retornei para casa, em silêncio, porém, ainda mais apreensiva com o futuro do meu  país. O meu, o seu, o nosso. Enfim,com o futuro da Nação. Que o resultado das urnas sirva de lição para todos aqueles que, no passado, honramos com os nossos votos e com nossas e nossas quase sempre frustradas esperanças. Diz o sábio ditado que a gente colhe o que plantou. Vamos, todos, pois, plantar boas sementes?

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Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife

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