São Francisco, natureza e artesanato

Uma pausa, hoje para meu santo predileto, São Francisco de Assis. Tenho a maior admiração pela figura humana e  pela sua rica biografia. Já visitei a igrejinha onde costumava rezar quando jovem e até a linda catedral – em Assis, Itália – onde estão os seus restos mortais. Ele foi sepultado em 1226 e canonizado em 1228. Para os que não lembram, São Francisco nasceu em Assis, e ficou conhecido como padroeiro da ecologia e protetor dos animais. Para mim, foi o primeiro ambientalista da história. E tinha relação toda especial com os animais. Dizem que até conversava com eles. No Cântico das Criaturas, ele louva a Deus por todas os elementos da natureza. E não só as pessoas e animais. Mas também os irmãos Sol, Lua e todas as Estrelas.

Em uma das suas biografias que já li, fala, também, do seu desapego. Refere-se até, a um ato de protesto que ele fez, em frente ao pai e ao representante da justiça. É que, comerciante, o pai tinha dinheiro. E uma vez, encheu uma carroça de tecidos e mandou o filho vender. Só que Francisco distribuiu a mercadoria com os necessitados e voltou para casa sem um tostão. Na frente do pai que o recriminava e o acusava pelo sumiço dos produtos perante uma autoridade, não titubeou. Deu ao pai a única mercadoria que lhe restava: a própria roupa. E ficou nu, lá mesmo, na frente das então autoridades judiciárias. Talvez pela sua irreverência, pelo amor à natureza e aos animais, ele seja, também, um prato cheio  para os artesãos, principalmente para os do Nordeste. É muito interessante como eles o retratam, de forma tão diversificada.

É impressionante a variedade com a qual São Francisco de Assis aparece, no artesanato do Nordeste: figuraço.

Normalmente, as imagens  dos outros santos ou santas, muito se parecem, por mais diferente que sejam os estilos dos seus criadores, trabalhem eles com barro, com madeira, papel machê ou outros materiais. Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora de Aparecida, Santo Antônio, São José, São Pedro – qualquer que seja a invocação – eles estão, sempre, nas mesmas posições. Não é o caso das imagens de São Francisco, que pode aparecer sentado em uma cadeira, deitado de bruços, em pé, de joelhos, deitado de lado, com um crucifixo. Ou seja, de muitas formas. E é por achar esse fenômeno tão curioso que mantenho, também, a mania de colecionar essas imagens, confeccionadas por artistas populares.  Benedito a Manuel Eudócio (PE), de Ribamar a Dezinho (PI), mestres famosos. Mas também, vindo de artesãos anônimos, como o que aparece isolado, na foto que abre esse post.  Comprei a peça, que achei linda, original. Mas até hoje não sei quem fez. Que pena.

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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

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