São Francisco e educação ambiental

Como fiz no ano passado, marquei ponto na Praça de Casa Forte nesse 4 de outubro, onde no Dia de São Francisco, o pároco   Deyvison  Soares dos Santos abençoa os animais: cachorrinhos, fatos, cabra, o que aparecer. Também foram distribuídos graciosos arranjos florais e mudas de pau-brasil. Mas o que me chamou a atenção, em 2018, foi uma equipe da Escola de Referência do Ensino Médio José Vilela, que fica no Parnamirim. Preocupados com o meio ambiente, alunos do ensino médio apresentaram trabalho mostrando que o dono do cães precisam não só amar os seus totós, mas também evitar que os “descartes” dos animais continuem emporcalhando ruas, praças, parques, condomínios e praias do Recife.

Achei a iniciativa uma grande sacada da escola. Isso porque é raro se observar campanhas educativas sobre o assunto. Diante de problema tão grave, campanhas oficiais poderiam ser até mesmo simultâneas, durante vacinação de de caninos e felinos, promovida pela Prefeitura. Mas não acontecem, o que é um absurdo, já que isso está virando um problemão para o recifense. E as autoridades não deviam se omitir. Pois a meninada fez bonito hoje. Liderados por dois professores – Jonathas de Arruda, de Biologia (na foto de camisa azul) e Adália Bacalhau, de Empreendedorismo – eles mostraram as doenças que esse descarte indevido pode provocar em humanos, inclusive a mais conhecida: o bicho geográfico, também chamado de cobreiro. Conheço várias crianças que já contraíram a micose em praias e na areia de parquinhos dos seus condomínios.

Os estudantes mostraram, também, objetos que podem ajudar a evitar o descarte indevido em condomínios e nas ruas. Tudo feito com material reutilizado, como garrafões, garrafas de refrigerantes e sacos plásticos. O depósito maior deve ser colocado em condomínios, para que as pessoas se sintam motivadas a colher o cocô do cachorrinho, com a oferta de sacos. Já as garrafinhas de refrigerante têm um cordãozinho, e trazem saquinhos para serem puxados na hora da necessidade, quando o totó está passeando pelas ruas. Ideias simples,, que podem surtir bons efeitos. O trabalho do colégio, no entanto, não termina aí. Os garotos estão estendendo a atividade ao Conjunto Habitacional Lemos Torres, construído pela prefeitura, para abrigar ex-moradores de palafitas localizadas às margens do poluído Canal do Parnamirim. “Fomos ao condomínio,  onde moram alguns dos nossos alunos, fazer o levantamento dos moradores e da presença de animais”, conta Jonathas. “São seis blocos, 90 crianças, 27 cachorros e  21 gatos”, computa.

Como as crianças e animais frequentam os mesmos lugares, com os indevidos descartes, sobra, claro, para a saúde dos meninos e meninas que brincam na areia. Na  escola, foi criado um Clube de Educação Ambiental, através do qual se busca um problema  e se faz, então, uma intervenção.  Um reforço no trabalho de Maria Carneiro Alves,  síndica do condomínio popular, que tem 192 apartamentos. “Adultos, crianças, todos jogam lixo em lugares indevidos,  atiram  inclusivepela janela”, reclama Cida, como é mais conhecida. “Jogam fralda descartável das janelas,  deixam sujeira dos animais no pátio”, conta ela. E continua: “Nesta semana, a encanação entupiu, e durante o conserto, achamos um pássaro  que havia sido jogado na privada de um apartamento”, reclama Cida. De acordo com os dois professores, a José Vilela vai marcar presença no condomínio para ajudar Cida na educação ambiental dos moradores. Acho muito bom que a escola não se preocupe só com os estudos das crianças, mas sobretudo com a sua cidadania.

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Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife

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