Praça Dom Vital parece ninho de rato

Amigos, vocês já devem ter percebido que tenho dado um rolé pelas nossas praças. Faço isso sozinha, ou com grupos que costumam andar pelas ruas do Recife, como MeninXs na Rua, Caminhadas Domingueiras ou mesmo com o Olha! Recife, projeto de sensibilização turística da Prefeitura.  Nessas andanças,  geralmente temáticas, a gente vê as belezas da cidade. Que tanto pode ser o barroco das igrejas  quanto a presença do ferro na arquitetura do Recife. Mas, ao mesmo tempo que a gente contempla a beleza do Recife, também presencia o tamanho do abandono.

Já externei aqui a minha indignação com a situação da Praça Dezessete e, também, com a Maciel Pinheiro. Ambas são importantes não só pelos monumentos, mas também pela presença histórica. Quando eu penso que a praça que vi é a que está em pior condição, de repente, aparece outra,  pior ainda. Ou seja, em péssima situação. É o que ocorre com a Praça Dom Vital (de 1659). E ela fica em área turística, tendo aos seus lados o Mercado de São José (1875), a imponente Igreja da Penha (inaugurada em 1882) e o lindo, porém extinto Cinema Glória, cuja fachada resiste às agressões urbanas.

A histórica Praça Dom Vital virou uma vergonha pernambucana para os turistas que aqui aportam: até parece uma ratoeira

A outrora vicejante Praça Dom Vital – dos fotógrafos lambe-lambe, dos cantores, dos violeiros – está tomada pelo lixo. Pelo menos, o lixo dessa vez estava menor do que o meu último registro, quando me deparei com uma montanha de caixas de papelão e outros tipos de detritos, da minha altura. Dessa vez, o lixo estava mais “horizontal”, mas nem por isso menos vergonhoso. A Dom Vital está entregue às baratas, aos lagartos, aos escorpiões. Só dizendo assim, porque com aquela sujeira toda, é só o que deve dar por lá. Parece uma ratoeira.

Na Dom Vital, não há grama, os bancos estão quebrados, e os seus jardins vêm sendo utilizados para estender roupas, guardar colchões, juntar lixo. Como se isso tudo não bastasse, vêm sendo usados como banheiros. E também para fazer fogueira. Um horror, de sangrar o nosso coração, de recifense apaixonada pela cidade onde nasceu. Não, minha gente. Sinceramente, o Recife não merece isso.  Posteriormente vou voltar ao assunto bairro de São José, aqui, para falar do Mercado e também do Cinema Glória. É muito ruim que nossa tão querida cidade enfrente caráter tão predatório, por parte de nossas autoridades. Ando em outras capitais e não vejo tanto desprezo pelas nossas praças,  pelos nossos monumentos, pelos locais históricos.  Acorda prá Jesus, meu povo, que assim não dá. Oxe,Recife.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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