O ferro na arquitetura do Recife

Na última quarta-feira, fiz um programa bem interessante, pelo Projeto Olha! Recife, que ofertou um roteiro com base na presença do ferro na arquitetura de monumentos e prédios do Recife. No livro Arquitetura do Ferro no Brasil, Geraldo Gomes da Silva destaca várias  edificações da nossa cidade, sendo três públicas: os Mercados de Casa Amarela e de São José, e a antiga Estação Ferroviária do Recife. Os dois últimos foram alvo da visita guiada e gratuita do dia 12 de setembro.

Na publicação, o arquiteto informa que a partir de meados do século 18, “por vários motivos, nas Américas, na Ásia e na África, procedeu-se à importação de edifícios pré-fabricados em ferro da Europa”.  E adianta: “Configura-se, pois, no século 19, uma “civilização do ferro”, na qual a arquitetura passa a ser um produto natural. A expansão do ferro evoluiu durante a Revolução Industrial. Só entre os mercados públicos daquela época, ele listou nove no Brasil.

No Olha! Recife, visitamos o de São José, que foi inspirado no de Grenelle, na França, segundo relatório do arquiteto Louis Vauthier, publicado no Diário de Pernambuco, em 6 de maio de 1874. O projeto foi enviado para a Europa, onde Vauthier fez uma série de modificações e ficou encarregado de acompanhar, na França, a execução de estruturas de ferro. Nosso passeio passou por umas quinze ruas do Recife, e entre os destaques do roteiro ficaram: as escadarias da Associação Comercial (no Marco Zero), o Mercado São José (no bairro do mesmo nome), a Ponte da Boa Vista (que liga os bairros de Boa Vista e Santo Antônio).

Visitamos, ainda, a  Casa da Cultura, construída em alvenaria, mas com presença forte do ferro em seus alas e corredores. Também fomos ao prédio onde funcionou a antiga Estação Ferroviária do Recife, na qual fica hoje fica o Museu do Trem, ao qual dedicarei uma postagem exclusiva, pois o Museu está muito bem conservado e merece uma visita, principalmente aqui no Brasil, país que enterrou criminosamente todo um patrimônio de estradas de ferro levando trilhos, dormentes, locomotivas e outros equipamentos a se transforarem, realmente, em peças de museu. Ao contrário do que ocorre no mundo todo, onde trens e bondes, ao invés de virarem sucatas, passarama conviver com  equipamentos modernos, seja para transporte ou para exploração turística.

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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

Veja algumas imagens de locais visitados no passeio, na galeria de fotos abaixo:

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