Parem de derrubar árvores (132)

Está linda, não está? Toda verdinha, recoberta de jiboia. Mas por baixo de todo esse verde da foto acima – plantado por morador da área – o que existe é um tamborete. Ou melhor, uma árvore guilhotinada, vítima do arboricídio que ocorre em ruas, praças e jardins do Recife. Por esse motivo, ganha aqui o registro Parem de derrubar árvores, número 132. Com esse post, chegamos à soma de 222 árvores decepadas na cidade, ou erradicadas. Infelizmente. Mas esse número refere-se só às árvores eliminadas, flagradas pelo #OxeRecife. E sobre as quais temos o cuidado de documentar com foto, endereço e data.

Porque o número real, total, deve ser muito maior, já que em 2015, na atual gestão, já somavam 5 mil as árvores eliminadas nas ruas do Recife. Estamos em 2018, mas a quantidade não é mais divulgada. Virou segredo de estado. Pelos cálculos daqui do Blog, o número de tocos deve chegar perto de 10 mil. Mas isso é apenas uma estimativa, tomando por base aqueles números, que eram oficiais, há três anos atrás. Porque a matança não acabou. Ao contrário, aumentou. É só dar uma volta pela cidade, para se observar a quantidade de tocos espalhados no Recife. Em todos os lugares: ruas, avenidas, parques, jardins.

Esse graveto  é a “muda” utilizada para substituir uma árvore que tombou em abril, em frente à Cafeteria Castigliani.

Sabemos que os seres vivos – animais e plantas – nascem, crescem e morrem. Mas nas áreas urbanas, elas precisam de cuidados diferenciados. Porque na mata, elas se regeneram. As sementes brotam e elas voltam a crescer, ao contrário do que ocorre na selva de concreto em que vivemos. Mas ao ser erradicada (por praga, ameaça de cair) uma árvore precisa ser imediatamente substituída. Mas não é o que ocorre no Recife. Tenho acompanhado muitos casos. Vejo as árvores serem eliminada, sem a devida reposição.

Ou seja, nada se planta. Ou se coloca árvores como essa daí , na Estrada do Encanamento, onde caiu uma castanheira em abril deste ano (Parem de derrubar árvores 110), em frente à Cafeteria Castigliani. Na época, houve muita apreensão dos moradores. Eles chegaram a comentar a necessidade da reposição, e até indagavam qual a espécie mais adequada pelas redes sociais. Bom, foi plantada uma muda. Mas essa planta daí da foto, tão raquítica, vai vingar? Isso é muda para se plantar em área pública? Sobrevive, assim, tão desidratada? Será que é correta essa política de arborização? Com a palavra, as autoridades do município e ambientalistas.

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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

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