Música para surdos: é o “Som da Pele”

O Brasil tem cerca de 9,7 milhões de pessoas surdas. Entre os surdos do país, cerca de 1 milhão são crianças e jovens de até 19 anos que, enfrentam dificuldades no convívio com os sons e também com a música. Mas um trabalho feito com jovens que não ouvem, através do Grupo Som da Pele, mostra o quanto é importante que todos se exercitem na produção e harmonia de ritmos. Partindo da prática de percussão feito com surdos, o professor Irton da Silva, conhecido como Batman Griô, vai ministrar oficina de música para jovens surdos.

Ou seja, a música é para todos. Inclusive para os que não conseguem ouvir. Já estive já um bom tempo com Batman, conhecendo sua dedicação e fiquei emocionada com o resultado. Na época, escrevi uma reportagem para um jornal de circulação nacional, no qual eu trabalhava como correspondente. A oficina, pelo nome, já diz tudo: Vivências – Música é para sentir. E é para sentir mesmo. Foi sentindo os sons — através de percepção por sinais coloridos – que os jovens do Som da Pele produzem batuques de maracatu com tanta maestria.

O oficina busca sensibilizar o público surdo para a percepção dos sons através do corpo, assim como estimular a prática sonora e o seu contato no cotidiano. Também pretende ampliar o campo de atuação do surdo dentro da área da percepção dos sons, assim como criar público para o campo musical e para a experimentação sonora nas artes. O oficina gratuita é oferecida pela Caixa Cultural Recife. E acontece entre os dias 18 a 21 de setembro de 2018, sendo  destinada a crianças e adolescentes surdos a partir dos 10 anos de idade. Trata-se de um bom exemplo de inclusão.

As atividades acontecerão das 14h às 17h, sendo uma turma por dia, com 30 vagas cada. “O principal objetivo é levar música para o universo dos surdos, quebrando tabus e preconceitos e despertando o seu interesse em relação às sensações e possibilidades que este contato pode oferecer”, informa a Caixa, que patrocina o evento, na verdade iniciativa da Atelier Produtora. As inscrições estão abertas. E podem ser feitas pelo e-mail vivencias.musicaeparasentir@gmail.com, enviando o nome completo do participante e a idade. Após serem apresentados a noções de teoria musical, os participantes serão estimulados na prática a utilizar os sinais visuais que representam as figuras de tempo musical. Além disso, os participantes vão conhecer e utilizar o Metrônomo Visual, equipamento eletrônico desenvolvido pelo professor Irton da Silva, em que lâmpadas de cores e tamanhos diferentes auxiliam os exercícios. E para garantir que os participantes experimentem uma profunda imersão, a atividade contará com intérprete Coda (do inglês: child of deaf adult), que é uma ouvinte filha de pais surdos.

Leia também:
A luta por inclusão e acessibilidade
Renata Tarub: dança e inclusão social
Esplendor e o cinema para cegos
O frevo inclusivo de Werison
Carnaval inclusivo no Recife Antigo
 Festa inclusiva no Parque da Jaqueira

Serviço:
Vivências – Música é para sentir
Local: CAIXA Cultural Recife – Av. Alfredo Lisboa, 505, Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Data: 18 a 21 de setembro de 2018
Horário: 14h às 17h – uma turma por dia
Informações: (81) 3425-1915
Inscrições: gratuitas através do e-mail vivencias.musicaeparasentir@gmail.com (enviar nome completo e idade do participante)
Duração: 180 minutos
Classificação: 10 anos
Capacidade: 30 vagas para cada um dos quatro (04) dias; 120 vagas no total
Acesso para pessoas com deficiência

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Acervo Pessoal/ Batman Griô

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *