Cadê a calçada daqui? Oxe, Recife

É dura não só a vida dos ciclistas do Recife, que se aventuram a ir ao trabalho lutando contra o trânsito selvagem, em meio ao qual os quatro rodas lhes dão pouco ou quase nenhuma chance. A vida dos pedestres também é um sufoco. Quem anda, sabe disso. Dia desses, em uma das caminhadas que costumamos fazer aos domingos, com o grupo MeninXs na Rua, nós nos defrontamos com calçadas totalmente intransitáveis, desumanas. E não era em subúrbio não. Era no centro do Recife mesmo, mais precisamente na Rua do Riachuelo, na esquina com a Sete de Setembro, bairro da Boa Vista.

Havíamos saído do Parque da Jaqueira com destino à Praça da República, mas quase que não chegávamos. Porque as calçadas obrigavam os caminhantes a reduzir o ritmo, para minimizar o risco de tombos. É que elas eram cheias de buracos ou rachaduras, tinham pedras soltas, tampas de galerias pluviais partidas ou ferragens expostas. Conversando com o grupo que estava comigo, fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que me relataram quedas, idas ao ortopedista, pernas, braços e até dedos quebrados por conta de tombos devido às más condições de nossos passeios públicos.

Sinceramente, não há a menor condição de chamar de calçada o que aparece na foto, no Bairro da Boa Vista, Recife.

Quem não caiu por conta da degradação de uma calçada, tem um parente ou amigo que foi vítima do problema. Eu que o diga: já passei por três imobilizações, a última com fratura na fíbula. Felizmente não precisei de cirurgia, mas conheço três pessoas que necessitaram. Uma delas colocou a questão na Justiça. Foi um mês de cadeira de rodas, após necessitar de pinos, depois que caiu em um buraco em calçada na Avenida Conde da Boa Vista.

Como vocês observam, a caminhante aí da foto, a médica Fátima Bogéa – companheira de roteiros a pé pelas ruas do Recife –  está tentando caminhar por uma calçada que não lhe dá a menor condição de segurança. “Desde 2013, quando me integrei ao Grupo Caminhadas Domingueiras, e comecei a andar mais pelas ruas do Recife, que percebo como são precárias nossas calçadas”, diz Fátima, que integra, também o Grupo MeninXs na Rua. “Andando por longas horas aos finais de semana, inclusive por bairros, me deparo com ruas nas quais não há sequer um trecho de calçada por onde se possa passar”, completa. “Precisamos lembrar de todos aqueles que, durante a semana, dependem dessas calçadas para chegar no trabalho, mas o que vemos são não calçadas“, diz. “Com relação aos portadores de necessidades especiais, a dificuldade é ainda maior, sem condições mesmo”, conclui a médica caminhante.

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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

 

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