O lado musical da Revolução de 1817 na Academia Pernambucana de Letras

Conheço um montão de gente que vai caminhar no domingo e que já marcou um só destino final para o percurso: a Academia Pernambucana de Letras, no bairro das Graças. Isso porque a partir das 10h acontece um concerto, naquele belo casarão. É que na manhã do dia 19 de agosto,  se apresenta o Opus Aram Quarteto. O evento marca o lançamento do CD Suite 1817. A suíte foi criada por Múcio Callou, para assinar o bicentenário da Revolução de 1817.

Durante o evento, será lançada a edição 212 da Revista Continente, editada pela Cepe, e que traz o CD encartado. “A Suite 1817 é um convite à  reflexão, uma viagem no tempo pela história, que tem como destino a contemporaneidade”, diz Callou. “Espero que ela possa se tornar uma marca sonora, uma identidade musical, chamando a atenção para o fato histórico e sua importância na formação cidadã do brasileiro”, explica.

O Opus Aram Quarteto é formado por Múcio Callou (violão), Rogério Acicioli (flauta), Leonardo Guedes (violoncelo) e Fernando Rangel (contrabaixo). Mas a apresentação conta com participação de Ricardo Fraga (percussão). A Suite 1817 é composta de oito partes, que reportam aspectos culturais e históricos do Recife do século 19 (Prelúdio, Modinha, Eclesiástica, Jongo, Intermezzo, Maracatus, Réquiem aos Mártires e Hino aos Heróis).

Portanto,  a Suite 1817 destaca em seus temas os ideais iluministas, a participação de negros e índios no movimento libertário (através de ritmos populares). Há, ainda, referências à Terceira Sinfonia (de Beethoven), à Marselhesa, e aos hinos da Maçonaria, do Recife e de Pernambuco. “Desejo, em qualquer tempo, que estudantes e profissionais de música tenham acesso e possam executá-la”, diz Callou. Se caminhar em uma bonita manhã de sol de domingo já é bom, imaginem com um final musical que retrata um pedaço da nossa história e da nossa identidade.

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Serviço:
Concerto do Opus Aram Quarteto (Suite 1817)
Onde: Academia Pernambucana de Letras Endereço: Av. Rui Barbosa, 1596, Graças
Dia e horário: domingo, 19 de agosto, a partir das 10h da manhã
Ingressos: entrada livre

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Fred Jordão/ Divulgação

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2 comentários

  1. Um evento como esse é da maior relevância para nós, gente de Pernambuco. Eu acho que o sentimento de pertencimento ao lugar onde se nasce, e vive, anda meio amortecido, muito em parte pelo foco instigado pelas mídias televisivas (às quais nem assisto, ao contrário de maiorias, parece), cujo centro é fora do nosso “habitat”. Os próprios governantes de Pernambuco parecem não se tocar para isso, a não ser em períodos de eleições. Esse seu texto, Letícia, despertou-me o interesse de participar mais das coisas nossas. Anita Dubeux, minha irmã e sua amiga, está lá na Academia Pernambucana se Letras; faz ela muito bem. Obrigada. Vou inscrever no seu blog. Ele trata de coisas que nos dizem respeito. Parabéns!

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