A “melhor conexão” é com a natureza

Desliguei geral, no sábado, quando fui com o grupo Andarapé  fazer uma trilha de nove quilômetros pelas matas da Aparauá  Ecoaventuras, empreendimento localizado, no município de Goiana, a  60 quilômetros do Recife. Trata-se de reserva legal de 40 hectares, com presença dominante de vegetação nativa da Mata Atlântica e na qual funcionou um tradicional engenho, daqueles que  dominavam a economia da Zona da Mata de Pernambuco, até boa parte do século 20. Com a crise da agroindústria açucareira, muita coisa mudou na paisagem. E não são poucos os engenhos que se transformaram em opções de turismo rural ou de aventura. E a Aparauá (que funciona no antigo Engenho Massaranduba)  é um deles.

Logo na entrada, a plaquinha avisa: “Não há Wi-Fi na mata. Mas você encontra uma conexão muito melhor”. E encontra mesmo. Uma conexão perfeita com a natureza por uma área sombreada, com a presença de árvores como ibira vermelha, manguba, massaranduba,cipó cururu, cipó da água, sucupira, tamanqueira, oiticica, cajá, azeitona roxa, fruta-pão, quixabeira, aroeira, bulandi, embaúba para citar apenas algumas.  Nosso guia, Severino, homem criado e nascido na Zona da Mata, não só identifica as árvores seculares para o grupo, como também a função medicinal, de acordo com a sabedoria popular da Região. “No interior, o povo faz chá com casca de cipó cururu para curar erisipela”, diz ele. Penso que talvez venha daí a crença, muito comum no Nordeste, segundo a qual esfregar um sapo cururu (o animal mesmo) na perna, sobre a ferida, sirva para curar a mesma doença.

Trilha de nove quilômetros por Reserva de Mata Atlântica, no antigo Engenho Massaranduba, hoje Aparauá Ecoaventura

O guia da Aparauá diz que a oiticica é usada contra a diabete. Que a semente da ibira vermelha é muito solicitada para atacar pedras nos rins. Que o pau-de-cheiro serve para amenizar a dor de dente. E por aí vai… A casa do cupim da terra, por exemplo, dá “excelente lambedor”. Também mostra que o cipó d´água é usado para matar a sede de quem está perdido na Mata, que a madeira da tamanqueira serve para fabricação de tamancos, e que a manguba é procurada para “fabricação de barcos e caixão de defunto”. Nenhuma delas, no entanto, pode ser explorada ali na Reserva, claro. Severino adverte, também, sobre as plantas nocivas.”Esse araçá-da-mata é veneno puro”, relata, mostrando uma planta cujo fruto parece com o do araçá comestível, mas cujas folhas são totalmente diferentes da espécie nativa e quase desaparecida de nossas praias.

A Aparauá oferece várias opções de trilhas. No nosso grupo com o Andarapé , por exemplo, havia gente de todas as idades. Quando o assunto é aventura, há trilhas especialmente desenvolvidas para trekking, bikes, motos e quadriciclos. O empreendimento oferece, também, opções para festas na floresta (brincadeiras criativas para crianças ou grupos de estudantes), encontros corporativos (anfiteatro natural e centro de convenções rústico para experiências ao ar livre) e até book fotográfico. Já estive no local logo no começo da implantação. E achei, na época, que tinha tudo para dar certo. E deu. Só que agora, o local tem boa infraestrutura: restaurante, barquinhos, redes para descanso, palhoças,  equipamentos náuticos. E, o que é melhor, estimula a educação ambiental. Em toda a trilha, a gente se defronta com alguns obstáculos, como raízes, troncos caídos em decomposição, como, aliás, ocorre em qualquer floresta. Mas em nove quilômetros de caminhada, fiquei muito feliz, mas muito feliz mesmo, por não ter visto uma garrafa PET ou um potinho de comida industrializada pelo chão. E viva a natureza!

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Serviço:
O quê: Aparauá Ecoaventura
 (www.aparaua.com.br)
Onde: Rodovia PE-49, KM 20, Goiana telefones (81) 3234-4324 ou 9810922124
Quanto: R$ 6 (crianças) a R$ 12 (adultos) Quando: Segunda a sexta, de 9h às 17h (só com agendamento) ou sábados, domingos e feriados (9 às 17h) para o público em geral
O que levar: máquina fotográfica, tênis, toalha e roupa de banho, protetor solar e repelente (não levei este, mas não senti falta, não fui picada por mosquito).
Trilhas: há leves, médias e pesadas, por preços que vão  de R$ 6 a R$ 12. Trilha de bike custa R$ 6 por pessoa. Mas, a exemplo das demais, exige presença de guia. Há barcos, caiaques e passeios de barco, com direito a barqueiro (entre R$ 6 e R$ 10). A Aparauá disponibiliza varas de pescar (R$ 1) e iscas (R$ 2).
O que comer: petiscos, lanches e refeições. A oferta de petiscos soma nove opções, que vão da batata frita (R$ 20), à agulha frita (R$ 25 o prato). Do marisco de coco (sem ou com pirão)  -por R$ 25 ou R$ 32 – ao camarão alho e óleo (R$ 58). Há, também, lanches como sanduíches e tapiocas. E refeições: entre moquecas, peixadas, galinha (guizada ou cabidela). Os preços vão de R$ 50 a R$ 80. As porções são generosas. Geralmente um prato dá para duas ou três pessoas. Éramos três em uma mesa, pedimos refeição para dois e ainda sobrou comida.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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Um comentário

  1. Maravilhoso seu comentário sobre a Reserva de Aparaua. Descreve muito bem o local, a história e a vegetação. Dá informações de como chegar a Reserva. Parabéns amiga!!

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